domingo, 16 de fevereiro de 2014

13 dias que abalarão o mundo

Sexta-feira foi Valentine's Day... Não, espera. Sexta-feira foi o dia de transferência de dois embriões. E foi dada a largada para a contagem mais longa do mundo para 13 dias, quando farei o exame de Beta-hcg.
Se tem alguma dica que posso dar sobre o procedimento é: não comece a encher a bexiga (único requisito solicitado) 2 horas antes. Dá tempo suficiente de chegar na clinica, tomar uns copos de agua e ainda conversar com a embriologista. Esvaziei duas vezes aos pouquinhos a bexiga - requer concentração - e mesmo assim quase morri porque quando termina a transferência, que é rápida, é preciso ficar deitada com as pernas flexionadas.
Terminado tudo e sob estrita vigilância marital, passei no consultório do medico, no mesmo prédio e... Foi a ultima vez que vi a rua. Há mais de 72 horas deitada, praticamente, apesar de não ser comprovado que o repouso ajuda em alguma coisa na fixação ou desenvolvimento do bichinho. Há mais de 72 horas com a TV não colaborando. Zero programação que preste.
o que passa de mais produtivo por aqui é a ideia de comprar um ultrassom portátil. Rápido, prático. Isso permitiria saber se está dando certo ou não. Zero ansiedade e muita praticidade para seguir adiante. Alguém tem um ultrassom?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Berçário

Na sexta passada passei pelo procedimento de aspiração dos óvulos. Eram 9. Anestesia na veia (ai que delícia!), cólica o resto do dia e mais uma receita médica de mais uma enxurrada de hormônios. Agora com o adendo de serem medicamentos de uso contínuo - Primogyna e Ultrogestan - (hoje avalio que estava preferindo as injeções!). Repouso o resto do dia. Na segunda-feira, primeira hora, recebo o telefonema da Joyce, minha embriologista com o boletim médico: 9 óvulos, sendo seis maduros e cinco fertilizados. Vamos acompanhar o desenvolvimento nos próximos dias. E, antes de finalizar a ligação, dá os próximos passos: "Não nos falaremos amanhã (terça). Te ligarei na quarta-feira para passar as orientações para provavelmente a transferência ser na sexta-feira". Rapidamente ela ganhou meu afeto quase de irmã. Amor eterno. Amor verdareiro! Não sei se por estar acompanhando o crescimento das células como se fosse uma tia do berçário que anota na caderneta da criança tudo o que ela fez no dia (brincou, dormiu, fez um coco grande e vomitou) ou por aplacar minha ansiedade já avisando que ela não me ligaria no dia seguinte. Acho que foi por isso o sentimento instantâneo. Ansiedade é meu sobrenome, já estou enfrentando algumas noites sem dormir. Imagine achar que algo aconteceu com a célula e não me ligaram para avisar. Imagino um monte de mulher louca (mais louca ainda por causa dos hormônios) ligando na clínica cobrando o contato. E hoje minha mais nova irmã amada é a Karina, a outra embriologista. Ela me ligou para dar o boletim do dia: temos as cinco células se desenvolvendo. Quatro estão ideais e uma está com menos células do que o normal para o terceiro dia. Mas vamos acompanhar todas e quem sabe ela recupere. "Não se preocupe, amanhã nós não nos falaremos e eu te espero aqui na sexta-feira às 11h00. E bla bla bla (sobre os procedimentos a serem tomados)" Muito amor pela Karina, que prestou o melhor serviço: boletim plus maracujina. Imagine... se os pretendentes das moçoilas fossem assim e avisassem que não ligariam no dia seguinte, potes e potes de sorvete seriam economizados e todo mundo seria mais feliz.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Abaixo os arco-iris, pequenos poneis e fofoletes

Preciso aproveitar o surto de criatividade que os hormonios estao trazendo, mesmo com um teclado desconfigurado. Sao 5h39. Tenho ansiedade travestida de insonia. Normal. Nada que eu nao conheca. Amanha farei a coleta de ovulos (espero que eles estejam dentro dos foliculos e que os hormonios tenham servido ao que se destinavam alem de me deixar psycho-killer-doente-chorona). E estou com ansiedade ha dias. E nada ajuda.

Alem da ansiedade tenho a curiosidade (meus dois nomes do meio). O google resolve, so que nao. Os sites/blogs que falam sobre os processos de FIV (fertilizacao in vitro) sao centrais de nhoim nhoim nhoim, tudo muito cor de rosa. Aquele Babycenter quase me fez vomitar ursinhos coloridos. Era a Abencoadaxyz dando boa sorte para a Queridinhababy ou para a Umfilhoestanopelamordedeus. Argh. Nada informativo apesar de milhoes de foruns de discussao. Isso nao ajuda em nada para quem so busca informacao. Talvez seja cedo demais e eu acabe pagando da lingua e entre com um cadastro cor de rosa com lacinhos roxos e abra um topico chamado Quero ser uma mae fofinha ou Quero ter um bebe gordinho.

Por enquanto nao - e espero que nao precise chegar a essa fase. So precisava saciar a curiosidade alem das explicaacoes medicas sobre o que fazia cada hormonio do inferno e estar mais segura para aplicar o Orgalutran (que evita a ovulacao, em linguagem bem simples) e o Ovidrel (que rompe os foliculos). O Gonal F (responsavel por estimular a producao de varios foliculos nos ovarios) era facil porque e no formato caneta, do tipo de insulina, Achei um video do Orgalutran em alguma lingua que me parecia romeno. Em portugues, so se as imagens fossem decoradas com coracoes e cegonhas.

Hormônios e demônios

Estou descobrindo – na pele, nas entranhas, na barriga (precisamente 1 cm ao lado do umbigo) – que hormônios têm mais a ver com demônios que os “mônios”. Sim, estou endemoniada. Quero matar alguém. Quem? Não sei! Pode ser você, você e ou você. É, você aí do lado, que eu nem sei quem é. E como se desejos homicidas não bastassem, só tenho vontade de... chorar.

Explico: desde o dia 27 de janeiro estou tomando doses cavalares de hormônios para estimular a produção de óvulos. Sim, nós precisamos desse incentivo para engravidar. Mas não é só esse. Esse por enquanto, depois entram até os biólogos.

E porque a vontade de matar? Não sei. Não é sentimento. É físico. Uma coisa forte, um mal-estar generalizado e uma única vontade além do choro: sentar no cantinho do quarto e ficar lá, sozinha, com a porta fechada. Ah, e o choro não é algo assim que vem depois de ver na TV uma notícia sobre uma chacina de criancinhas. Não: na novela (e não era porque estava para acabar) e por mais 1 hora e meia depois. Motivo? Sei lá. Pensei na morte da bezerra: meu olho enche de lágrima. Penso que pareço uma idiota de tanto querer chorar: pronto: olho marejado dentro do carro, dirigindo. Lembro da cena bonitinha do Frozen. Ouvi uma música e lembrei que estou chata como só. Pronto: manteiga derretida. Até esperando a mesa para almoçar no restaurante.  Simplesmente insuportável.

E para piorar, tenho vontade de chorar porque estou me sentindo um ninho, ou melhor, uma chocadeira. Na sexta-feira, fui ao médico. O primeiro ultrassom de uma rotina deles agora. E vi, lá na tela: 5 óvulos em cada ovário. E o objetivo? Mantê-los todos lá, se possível aumentar ainda a quantidade, mas como nada é tão ruim que não possa piorar, aumentar não é aumentar assim, aleatoriamente, sem controle. Se passar de 20, dançou. Hoje tem ultrassom de novo. Posso discorrer mais sobre isso, principalmente para os homens entenderem que devem tratar com muito carinho suas esposas quando elas contarem que na semana que vem elas têm agendado um ultrassom transvaginal. É o constrangimento em forma de exame.

E a chocadeira agora tem certeza de que há algo ou ovos se desenvolvendo na barriga. Estou sentindo várias coisas. Com certeza devem ser puns em formação, mas a sensação é de que esses óvulos que precisam se desenvolver estão pulando e se chocando um contra o outro para ploft... explodirem. Essa foi a certeza que tive fazendo circuit training às 6h30 da manhã. Será que algum explodiu? Ou no fim do dia precisarei soltar um pum gigante? Tipo um pum do demônio.