terça-feira, 29 de julho de 2014

Conclusão: adolescentes

Neste fim de semana fui a uma festinha infantil. Família querida, pequena mais querida ainda com seu coque de cabelos meio louros meio ruivos cacheados e seu agasalho de caveiras em formato de meigos gatinhos. A festinha era da Peppa, aquela porquinha acusada de ser meio da pá virada, meio feminista, mas que meu sobrinho ama. Ele, Gabriel, e Clarice, a aniversariante rock&roll, amam Peppa.

Entre um enroladinho de salsicha e uma bolinha de queijo acompanhada de um copo de refrigerante, tive muito tempo de refletir. Comi tanto que acho que já estava tendo barato. E isso causou pensamentos bem malucos. Um deles, apesar de cheirar a pão de queijo, no fim das contas me pareceu bem lúcido.

Olhei ao redor e, sem contar os mais jovens - bem mais jovens -, éramos o único casal sem filhos da garagem. Alguns traziam os rebentos ainda na barriga. Sim, festa de criança na garagem com piscina de bolinha e petizes lambuzados de meleca de farinha-água-óleo-anilina. Uma farra. A aniversariante estava literalmente untada em farinha. Parecia um cupcake. Na forminha.

(Eu não comi coxinhas, mas devo estar com barato agora. Não estou conseguindo escrever de maneira linear. É tema que entra no tema. Sairia um texto, mais ou menos assim, - bonitinho -, mas meio enrolado. Foca e volta.)

Como únicos sem filhos, ouvia os gritos, observava um puxando os cabelos dos outros, um tal de "me dá","é meu", "mãe...." com um divertido distanciamento. Havia filhos do estilo bicho-grilo, refletindo o estilo de seus pais; outros no melhor estilo caipira - minha mãe dizia: "larga da minha saia, dá oi pra todo mundo. Tá parecendo caipira" -, empolados na barra da mãe e o dedo na boca.

E quanto mais eu me distanciava, o barulho ia ficando lá longe, eu mandava ver mais um risole e viajava. A ponto de chegar a uma conclusão. Aquela, bem lúcida lá de cima: os adultos casados sem filhos representam os adolescentes da maturidade.

Meu cônjuge certamente mesmo antes dessa descoberta não entrava na lista dos maduros. Ele come salsicha com miojo e é viciado em Baconzitos com Coca-Cola.

Adolescentes não repreendem ninguém. Eles não precisam. Mas são repreendidos. Cada vez que alguém me pergunta sobre os filhos é assim que me sinto. Uma adolescente repreendida. E a minha vontade, boca suja que sou, é, depois de mandar à m...., é sugerir a cada interessado nos meus futuros rebentos que contribua com uma parcela polpuda para resolvermos o problema. Mas não, explicamos com um sorriso amarelo a questão da FIV. Uma verdadeira ladainha. E a vontade adolescente é de se trancar no quarto com o som no máximo. Xingando a tudo e a todos. Quem eles pensam que são?

O fato é que adolescentes dão o próximo passo. Mas e os adolescentes da idade adulta impelidos a essa condição por "causas alheias à nossa vontade" (sempre quis escrever isso, é tão adulto...)? Como fazer?

Vou ficar com essa questão: Como fazer? Enquanto isso vou para a balada, bem adolescente, com direito a festa do pijama, buffet de besteiras, e a devolver o petiz para a mamãe ao primeiro sinal de fralda radioativa.

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