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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Mais um negativo

E no dia 6 tive mais um negativo (ou "indetectável para a presença do hormônio Gonadotrofina Coriônica Humana). No dia 5 eu já sentia que algo caminhava para isso, com muitas cólicas. No dia 6 tudo se intensificou com uma enxaqueca horrorosa e pequenos sangramentos. Já sabia que havia desandado. Foram necessários 15 minutos entre chegar e ser atendida no laboratório e algumas horas de espera, dando reload no site do resultado para ter a confirmação. A de que mais uma vez não havia dado certo. 

Fiz o que podia, mas a sensação de fracasso é consequentemente imediata ao resultado confirmado. Confirmado, a primeira providência foi me atracar na Neosaldina para sanar a enxaqueca que perdurou das 7h da manhã às 15h. Depois, tudo é uma questão de chorar um pouco e organizar os pensamentos. Chorei um pouco, mais um pouco e outro tanto e passei a organizar os pensamentos. Triste, mas mais cascuda, um pouco mais imune. Se é que isso é possível. Sim, é sim. Mais imune. 

domingo, 29 de março de 2015

Flashback

Fazendo um flashback rápido, como no Os Normais, no tal dia D da punção, tudo estava bem. Eu disse estava. Até eu tomar um sedativo leve que dava uma tontura boa e estar acompanhando a conversa do meu médico e da anestesista sobre um colega que estava se aproveitando dos benefícios das drogas em um determinado hospital. Essa fase estava fantástica. E de repente, apaguei, logo depois de o médico da punção entrar na sala, segurar na minha mão e dizer "viu como você é importante? Olha como a sala está cheia de gente".

Corta e acordo com o apitar ritmado do monitor cardíaco na sala de recuperação. Não demorou muito para o Edu aparecer e o dr. Marcelo. "Sabe aquilo que você estava sentindo estranho ontem? Então, você ovulou. E quando isso acontece, os óvulos começam a entrar em atresia (começam a "involuir"). A boa notícia é que conseguimos salvar 3 óvulos."

"Boa notícia para quem, cara pálida", quase respondi, mas me contive ao choro e explicar que isso era péssimo.
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Hoje já estou no D6 após a transferência, que fizemos no dia 21 de março. Pois bem, como tudo muda, as embriologistas já não fazem mais o contato com as pacientes. Isso agora está a cargo do próprio médico. Talvez elas estivessem sofrendo ameaça de morte por parte das pacientes. No dia seguinte à punção (domingo), a notícia era a de que dos 3 sobreviventes, um não era maduro e um não havia fertilizado. Ficamos então com apenas um derradeiro.

E na segunda, o dr. ligou para avisar que esse solitário estava se desenvolvendo muito bem, sem fragmentação. E... que fariamos a implantação já na terça. Muita informação de uma só vez. Mas OK.
E na terça, às 8h30 estávamos lá na clínica, enchendo o bucho de água. Arrrmaria. Tanto sofrimento e ainda uma bexiga cheia, muito cheia. Tão cheia que tive de esvaziar 3 vezes. A última delas até para ajudar no procedimento.

E agora estou aqui, já há 5 dias presa na masmorra, exceto por um jantar japonês rápido na sexta uma ida  à padaria. Estou quase que de repouso absoluto e quase sem sintomas (exceto a ansiedade e o nervoso causados pelos hormônios via Crinone, Duphaston e Primogyna), o que me deixa muito mais nervosa e me faz acordar todos os dias às 4h30 da matina.

Pela frente, nos próximos passos vêm o exame de estradiol e progesterona no dia 31 e o BHCG apenas no dia 6/4. Segura...


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Indetectável

120 horas se passaram. E foi negativo mesmo. E mesmo só para confirmar o doído negativo tive sofrimento extra. Não fiz o exame logo pela manhã, quando abre o laboratório fui às 8 e pouco. Isso fez com que o exame não tivesse o resultado liberado às tradicionais 16h. E, durante a espera, ato contínuo de atualizar de segundo em segundo a partir desse horário, o site resolveu sair do ar. Foram uns 5 minutos de apreensão, mas ele voltou. E por volta de 18h20 eu confirmei o que não queria ver. "Indetectável".

A dor já nem era mais a mesma. Ou era. Uma estranha conhecida. Um luto por alguém que ainda nem era. Mas era. Ou poderia ter sido.

Já chorei, me recolhi, fiz com que me odiassem por pedir um tempo para um silêncio. Depois, me refiz pouco a pouco, com a Lola no colo (minha eterna companheira, enquanto o marido viaja). E no terceiro dia voltei ao trabalho. Exatamente do mesmo jeito que nos dias anteriores. A única mudança foi voltar sem a certeza de que dessa vez estava tudo certo, nos eixos.

Agora, é me colocar de novo nos eixos.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Mais 48 horas...


"OBS.: Devido  aos  níveis  encontrados  de  gonadotrofina coriônica serem
      baixos  e  estarem  próximos  à  sensibilidade do método, sugerimos
      repetição em nova amostra, sem ônus, após 48 horas."
Quem merece? O resultado foi de 3 ui/l. Continue com sua medicação e repita o exame na sexta-feira. Fácil para uma ansiosa, não? Facilitar um pouquinho não dava, não? 
Ontem eu tinha certeza que estava prestes a menstruar: cólicas e um sangramento um pouco maior. Nada aconteceu mas fiz repouso. Viciei em Mad Men e, até lá, o casal que não conseguia engravidar descobriu que deu certo sem querer!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Pode ter mas pode não ter

Amanhã eu faço o famigerado exame BHCG. E desde dias atrás tenho medo de ir ao banheiro. Como já falei antes, qualquer coisa pode ser qualquer coisa (entendeu?). Mesmo. Pq? Porque há sintomas, mas não há sintomas. Não há um padrão: tem a tal da nidação, mas pode não ter. Pode ter cólica, pode ter dor nos seios, pode ter sangue - muito ou pouco. Mas pode não ter. Ou pode ter a combinação de a com c, ou de d com f.... Ou seja, não se consegue saber se está indo bem ou não.

Estava quase certa de que estava dando certo. Mas no sábado surtei e tinha a certeza de que já havia algo errado. Depois já não sabia de mais nada. E amanhã, só sei que vou atualizar o site do Fleury umas 387 vezes, mesmo sabendo que o exame só sairá às 16h.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Qualquer hipótese é devastadora para um ansioso

E aí que fui na consulta da segunda e o endométrio resolveu não ajudar. Nada de evoluir. Seguimos em frente já sabendo de uma próxima consulta na quinta (passada, quando seria a data da TEC) e a possibilidade de transferência na sexta ou... só no mês que vem. E aí que está o problema. Qualquer hipótese (seja ela boa ou ruim) é devastadora para um ansioso.

Bom, na consulta da quinta confirmamos que realmente o endométrio se rebelou e resolveu ficar onde estava, preparado porém não espesso. Toca abandonar de novo a medicação e esperar o próximo ciclo. Chorar um pouquinho também, afinal de contas, só nos damos conta de que o tempo está andando quando precisamos dele. Sem falar, obviamente do fator ansiedade. Mais um mês de espera. Quem aguenta?

Pois bem... aí você para com a medicação na própria quinta-feira tentando ser resiliente e educadinha para esperar novamente e não mais que de repente, no sábado, você que menstruou há 19 dias resolve menstruar de novo. Deu defeito. Mas OK, avisamos ao médico e voltamos com a medicação (Primogyna, de oito em oito horas, dessa vez).

Agora é esperar a próxima consulta para ultrassom na segunda-feira que vem. E tentar entender o que houve? Foi a parada na medicação que gerou esse ciclo tão curto? Estou dando tilt? Muito estranho...

segunda-feira, 10 de março de 2014

Sem mais alarmes (e alardes)

E no domingo, dia 9, eu desliguei os seis alarmes com horários diversos para os remédios.
***

Passei os últimos dias em repouso sem sair da cama (apenas bio break e comer fora dela), sob vigilância extrema. E com muito sangramento, que começou fraquinho no sábado passado e ficou forte na segunda, com cólicas. Óbvio, havia algo de errado, apesar de o Beta ter subido um pouco na quarta. Enfim, resolvi ligar hoje novamente para o dr. Ele pediu novamente que eu esperasse amanhã para o novo Beta ou que eu fosse ao Hospital Santa Joana para passar pelo pronto-atendimento e ligar de lá para ele, para que fosse feito um Beta e um ultrassom. Foram quase 5 horas lá. Um ultrassom sem me mostrar o que eu queria ver (e isso é normal para o que seria uma gravidez de 5 semanas e seis dias - ainda não se vê nada mesmo quando está tudo bem). Mas não era o caso: a combinação do resultado do Beta (na verdade, só isso já mostrava a real) com o ultrassom era uma clara resposta ao meu sentimento de que havia algo bem errado. Sim, eu tive um aborto. Não sei causa, se a gravidez era ectópica ou qualquer outro detalhe. Mas foi isso. O resultado do Beta foi de 6,64. Meu corpo estava expelindo os bichinhos e isso fazia gradativamente o volume do hormônio hcg cair.

Por mais que o sentimento de medo já existisse - bem como a sapiência de que muitas vezes não dá certo na primeira tentativa -, vem um sentimento de luto. Tudo muito estranho, um luto estranho, mas um luto.

Um luto por quem (ou algo) que eu nunca vi. Mentira. Eu vi sim. Vi ele surgir, em dia e hora marcada. E com a bexiga muito cheia.

Estou sentindo luto pelo sapatinho e pelo livro sobre gravidez que não consegui comprar no dia seguinte ao ver o Beta positivo pela primeira vez. E luto pelas roupinhas guardadas que tenho desde 2009, quando fui para Nova York.

O luto é pelo menino morto espancado por seu pai simplesmente para "largar mão de besteira e ser homem de verdade". Luto pelas mães que largaram seus filhos em lixeiras, sacos dentro do rio.

Luto pelas mulheres que estão "tentando" ter seus filhos já há seis, sete anos. Depois de inúmeras tentativas e métodos, continuam, firmes e fortes, mas com uma melancolia constante.

Estranho, mas tudo isso passou pela minha cabeça nas horas seguintes à certeza do que eu já sentia dias atrás.

Li sobre uma mulher que já tem quatro filhos e casou-se novamente. E está fazendo o tratamento de FIV para dar um filho a esse novo marido porque ele quer um filho. Oi? Isso é sinal de amor - um filho a qualquer preço??? Isso me deixa em luto.

Luto pelos poucos planos que Edu e eu ousamos começar a fazer. Juro que foram bem poucos, porque eu sempre lembrava da possibilidade de falha. Isso é triste. Sonhar com limites por conta dos limites da ciência.

Pedem que eu siga em frente. Preciso tomar as providências e entender os próximos passos com o dr. Mas é impossível não fazer as contas e pensar que eu apliquei  14 injeções, usei 12 caixas de Utrogestan, 3 caixas de Primogyna e outros mais...

E, num surto de me colocar no lugar dos outros, tive o pensamento típico escroto-machista de que tudo foi privada e em absorventes abaixo (nojento, eu sei, mas as rotinas desse tratamento são nojentas mesmo e os incomodados que passem ao próximo blog de moda, look do dia ou para as páginas dos pôneis e afins).

Vou parar de pensar um pouco. Lola aqui do meu lado só me olha. Entendeu quando eu disse que estava sem saco: afastou a carinha, virou e suavemente se deitou apoiando o corpo em minha perna. E, assim, compartilhou comigo e o Edu esse luto estranho.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Meu Carnaval

E por que segredo? Você vai entender: o processo é todo muito sensível. E a gravidez é vista muito no começo (normalmente as mulheres se vêem grávidas após um ou dois meses) e isso faz com que ela seja quase efêmera. Por isso é preciso fazer a repetição do exame Bhcg (o famoso Beta) duas ou três vezes para que seja vista a subida do hormônio hcg no organismo da mulher. Em média, a cada dois dias esse valor hormonal precisa dobrar.

No meu caso, na quarta-feira de cinzas eu faria a repetição do exame. Mas antes disso meu Carnaval passou de um feriado durante o qual eu iria ao menos ao cinema para um feriado na cama. Mesmo. Comecei, no sábado, a ter um pequeno sangramento. Vamos lá incomodar o dr. em seu Carnaval também. Tudo sob controle segundo ele, mas devo começar a tomar Dactil OB, que pelos meus estudos científicos de bulas, evita partos prematuros e cólicas. OK, no domingo melhoro um pouco, mas na segunda era como se eu estivesse ficando menstruada a décima potência. Cólicas como não tinha fazia anos e realmente muito sangue. A ordem passa a ser repouso total e, além de Primogyna, Utrogestan, Dactil OB, devo tomar também Duphaston (mais progesterona).

Pela primeira vez na vida eu sigo corretamente os horários dos medicamentos. Tudo estaria bem se todos fossem de 8 em 8 horas. Mas não. Eu passaria a acordar às 4 da matina para tomar um deles. E assim foi. Mas o sangramento não diminuiu. E na quarta-feira de cinzas repeti o Beta. E o resultado apareceu na tela às 16h35 (Esse é o horário no qual o Fleury sobe os exames, pois foi na mesma hora do primeiro exame) e não era o esperado. De 39 passou para apenas 52.

Pânico e mensagens com o dr. Ele, otimista, dizendo que pelo menos o valor subiu, pede mais repouso e novo exame na segunda, dia 10. Assim, com muito choro, o saco cheio de ficar na cama e muita pesquisa na internet - que certamente só cria minhocas em excesso - estou aqui ainda no meu Carnaval. Pensando sobre gravidez ectópica (resumidamente: quando o embrião se fixa no lugar errado), em aborto (porque isso ocorre quando a evolução do Beta não é de acordo com o esperado) e tudo o mais de ruim que alguém pode ler.

Zero concentração, não consigo ler, não consigo ver nada que exija o mínimo de raciocínio. Estou aqui. Consegui a proeza de, ontem, ver pela manhã 3 vezes amor, com a Isla Fischer. Na sequência, vi Para Sempre, com a Rachel McAdams. Pasme, depois as duas se encontraram a tarde em Penetras Bom de Bico.

E é isso. Até segunda, no news...

sábado, 1 de março de 2014

Positivo (xiiii, é segredo!!!)

Quinta-feira era o Dia D. Hora de fazer o exame Betahcg (BHCG), após 14 dias da implantação dos dois blastocistos. Óbvio, não dormi direito. 4 da matina e já estava em pé. Banho às 5h e logo cedo no Fleury. Quem sabe? Quanto mais cedo eu fizesse o exame, mais cedo sairia o resultado. Oficialmente era prometido para as 18h. Mas eu já tinha a certeza de que havia algo errado. Uma sensação de que menstruaria naquele dia. Estava sentindo isso já desde o dia anterior. Mas ok. Fiz e fiquei feliz que a atendente falou que por volta de meio-dia já deveria estar pronto o resultado. Ledo engano.

Passei a manhã atualizando a página do laboratório na internet a cada 10 minutos. Eu fazendo isso de um lado e o Eduardo do outro. Meio-dia e nada. Já estava enlouquecendo.

Sai mais às 15h50 do trabalho para não pegar o rodízio mas a Castelo estava completamente parada com a Marginal Tietê congestionada. Ferrou. Ou vou levar multa ou terei de desviar para Osasco. Mas arrisquei e achei que chegaria a tempo de me refugiar no shopping Villa-Lobos. No caminho, desesperadamente atualizava a página no iPhone. Até que eram 16h36 e apareceu. Mas não consegui ver. Nesse exato momento o Eduardo ligou e a página sumiu. Meio em dúvida ele disse que era positivo. Tremi, mas ele disse que estava em dúvida (os valores de referência falavam em volumes de milhares e o resultado não era em milhar), apesar de uma nota no fim do exame dizer que se o objetivo era confirmar a gravidez o resultado era POSITIVO. Atônitos, desligamos e eu ligaria para o dr. Marcelo Afonso Gonçalves. Nada de me atenderem nos telefones da clínica. Eu tentando e o Eduardo ligando para mim, mandando whatsapp, SMS e eu ainda tentando não levar multa. Pelo menos isso eu consegui, às 17h, cravado, entrei no Villa-Lobos. Respirei e aí sim continuei tentando falar com ele (ao saber o resultado, a ordem era ligar para ele).

Liguei no celular, coisa que não gosto de fazer. Caixa postal. Um segundo depois ele me liga, pergunta o valor e onde fiz. E então me dá os parabéns. Ai a coisa começa a se materializar mesmo. Mas mesmo assim ele pede para que eu continue com todos os remédios, caprichando, e que eu não fale nada para ninguém ainda, pois o valor do resultado precisa mais que dobrar na quarta de Carnaval. Liguei para o Eduardo e confirmei e tive uma vontade imensa de chorar. Mas chorar sozinha no meio do shopping é, no mínimo, meio estranho. Então o Eduardo veio ficar comigo (ja que é do lado de seu trabalho). Mas a essa altura o chorro já tinha passado. Ele querendo comemorar e eu preocupada com a próxima etapa, para garantir o desenvolvimento do bichinho.