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domingo, 29 de março de 2015

Flashback

Fazendo um flashback rápido, como no Os Normais, no tal dia D da punção, tudo estava bem. Eu disse estava. Até eu tomar um sedativo leve que dava uma tontura boa e estar acompanhando a conversa do meu médico e da anestesista sobre um colega que estava se aproveitando dos benefícios das drogas em um determinado hospital. Essa fase estava fantástica. E de repente, apaguei, logo depois de o médico da punção entrar na sala, segurar na minha mão e dizer "viu como você é importante? Olha como a sala está cheia de gente".

Corta e acordo com o apitar ritmado do monitor cardíaco na sala de recuperação. Não demorou muito para o Edu aparecer e o dr. Marcelo. "Sabe aquilo que você estava sentindo estranho ontem? Então, você ovulou. E quando isso acontece, os óvulos começam a entrar em atresia (começam a "involuir"). A boa notícia é que conseguimos salvar 3 óvulos."

"Boa notícia para quem, cara pálida", quase respondi, mas me contive ao choro e explicar que isso era péssimo.
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Hoje já estou no D6 após a transferência, que fizemos no dia 21 de março. Pois bem, como tudo muda, as embriologistas já não fazem mais o contato com as pacientes. Isso agora está a cargo do próprio médico. Talvez elas estivessem sofrendo ameaça de morte por parte das pacientes. No dia seguinte à punção (domingo), a notícia era a de que dos 3 sobreviventes, um não era maduro e um não havia fertilizado. Ficamos então com apenas um derradeiro.

E na segunda, o dr. ligou para avisar que esse solitário estava se desenvolvendo muito bem, sem fragmentação. E... que fariamos a implantação já na terça. Muita informação de uma só vez. Mas OK.
E na terça, às 8h30 estávamos lá na clínica, enchendo o bucho de água. Arrrmaria. Tanto sofrimento e ainda uma bexiga cheia, muito cheia. Tão cheia que tive de esvaziar 3 vezes. A última delas até para ajudar no procedimento.

E agora estou aqui, já há 5 dias presa na masmorra, exceto por um jantar japonês rápido na sexta uma ida  à padaria. Estou quase que de repouso absoluto e quase sem sintomas (exceto a ansiedade e o nervoso causados pelos hormônios via Crinone, Duphaston e Primogyna), o que me deixa muito mais nervosa e me faz acordar todos os dias às 4h30 da matina.

Pela frente, nos próximos passos vêm o exame de estradiol e progesterona no dia 31 e o BHCG apenas no dia 6/4. Segura...


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

E segura a ansiedade

E eis que passei quatro dias em repouso quase que absoluto após a transferência, no dia 11. Não escapei do sofrimento da bexiga explodindo: cheguei com ela vazia e comecei a me encher de água. Não estava funcionando. Tomei mais água... até o início do procedimento, quase morri. Era tão cheia que estava difícil de ver o útero. Mas deu tudo certo. Agora estou domando a ansiedade. Milhares de filmes, o novo vício em Mad Men estão me contendo. Por enquanto realmente estou me sentindo bem, sem tanta ansiedade.

A medicação continua bem regradinha: Utrogestan, Primogyna e Duphaston, além de vitamina D, ácido fólico e complexo multivitamínico.

A sensação é um pouco estranha em relação à primeira tentativa. Sei lá o motivo, mas está sendo assim. Claro que qualquer movimento peristáltico na minha cabeça é algo diferente disso...

Hoje já voltei ao trabalho e isso ajuda também. And counting...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

E eis que de um ciclo maluco...

E de um ciclo que apareceu do nada, a base de muito hormônio, o endométrio resolveu ser bonzinho e acabou por evoluir. É isso. Nesta quinta-feira faço a TEC (Tranferência de Embriões Congelados). Vamos ver o que vai dar. Espero que corra tudo bem.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Sem mais alarmes (e alardes)

E no domingo, dia 9, eu desliguei os seis alarmes com horários diversos para os remédios.
***

Passei os últimos dias em repouso sem sair da cama (apenas bio break e comer fora dela), sob vigilância extrema. E com muito sangramento, que começou fraquinho no sábado passado e ficou forte na segunda, com cólicas. Óbvio, havia algo de errado, apesar de o Beta ter subido um pouco na quarta. Enfim, resolvi ligar hoje novamente para o dr. Ele pediu novamente que eu esperasse amanhã para o novo Beta ou que eu fosse ao Hospital Santa Joana para passar pelo pronto-atendimento e ligar de lá para ele, para que fosse feito um Beta e um ultrassom. Foram quase 5 horas lá. Um ultrassom sem me mostrar o que eu queria ver (e isso é normal para o que seria uma gravidez de 5 semanas e seis dias - ainda não se vê nada mesmo quando está tudo bem). Mas não era o caso: a combinação do resultado do Beta (na verdade, só isso já mostrava a real) com o ultrassom era uma clara resposta ao meu sentimento de que havia algo bem errado. Sim, eu tive um aborto. Não sei causa, se a gravidez era ectópica ou qualquer outro detalhe. Mas foi isso. O resultado do Beta foi de 6,64. Meu corpo estava expelindo os bichinhos e isso fazia gradativamente o volume do hormônio hcg cair.

Por mais que o sentimento de medo já existisse - bem como a sapiência de que muitas vezes não dá certo na primeira tentativa -, vem um sentimento de luto. Tudo muito estranho, um luto estranho, mas um luto.

Um luto por quem (ou algo) que eu nunca vi. Mentira. Eu vi sim. Vi ele surgir, em dia e hora marcada. E com a bexiga muito cheia.

Estou sentindo luto pelo sapatinho e pelo livro sobre gravidez que não consegui comprar no dia seguinte ao ver o Beta positivo pela primeira vez. E luto pelas roupinhas guardadas que tenho desde 2009, quando fui para Nova York.

O luto é pelo menino morto espancado por seu pai simplesmente para "largar mão de besteira e ser homem de verdade". Luto pelas mães que largaram seus filhos em lixeiras, sacos dentro do rio.

Luto pelas mulheres que estão "tentando" ter seus filhos já há seis, sete anos. Depois de inúmeras tentativas e métodos, continuam, firmes e fortes, mas com uma melancolia constante.

Estranho, mas tudo isso passou pela minha cabeça nas horas seguintes à certeza do que eu já sentia dias atrás.

Li sobre uma mulher que já tem quatro filhos e casou-se novamente. E está fazendo o tratamento de FIV para dar um filho a esse novo marido porque ele quer um filho. Oi? Isso é sinal de amor - um filho a qualquer preço??? Isso me deixa em luto.

Luto pelos poucos planos que Edu e eu ousamos começar a fazer. Juro que foram bem poucos, porque eu sempre lembrava da possibilidade de falha. Isso é triste. Sonhar com limites por conta dos limites da ciência.

Pedem que eu siga em frente. Preciso tomar as providências e entender os próximos passos com o dr. Mas é impossível não fazer as contas e pensar que eu apliquei  14 injeções, usei 12 caixas de Utrogestan, 3 caixas de Primogyna e outros mais...

E, num surto de me colocar no lugar dos outros, tive o pensamento típico escroto-machista de que tudo foi privada e em absorventes abaixo (nojento, eu sei, mas as rotinas desse tratamento são nojentas mesmo e os incomodados que passem ao próximo blog de moda, look do dia ou para as páginas dos pôneis e afins).

Vou parar de pensar um pouco. Lola aqui do meu lado só me olha. Entendeu quando eu disse que estava sem saco: afastou a carinha, virou e suavemente se deitou apoiando o corpo em minha perna. E, assim, compartilhou comigo e o Edu esse luto estranho.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Meu Carnaval

E por que segredo? Você vai entender: o processo é todo muito sensível. E a gravidez é vista muito no começo (normalmente as mulheres se vêem grávidas após um ou dois meses) e isso faz com que ela seja quase efêmera. Por isso é preciso fazer a repetição do exame Bhcg (o famoso Beta) duas ou três vezes para que seja vista a subida do hormônio hcg no organismo da mulher. Em média, a cada dois dias esse valor hormonal precisa dobrar.

No meu caso, na quarta-feira de cinzas eu faria a repetição do exame. Mas antes disso meu Carnaval passou de um feriado durante o qual eu iria ao menos ao cinema para um feriado na cama. Mesmo. Comecei, no sábado, a ter um pequeno sangramento. Vamos lá incomodar o dr. em seu Carnaval também. Tudo sob controle segundo ele, mas devo começar a tomar Dactil OB, que pelos meus estudos científicos de bulas, evita partos prematuros e cólicas. OK, no domingo melhoro um pouco, mas na segunda era como se eu estivesse ficando menstruada a décima potência. Cólicas como não tinha fazia anos e realmente muito sangue. A ordem passa a ser repouso total e, além de Primogyna, Utrogestan, Dactil OB, devo tomar também Duphaston (mais progesterona).

Pela primeira vez na vida eu sigo corretamente os horários dos medicamentos. Tudo estaria bem se todos fossem de 8 em 8 horas. Mas não. Eu passaria a acordar às 4 da matina para tomar um deles. E assim foi. Mas o sangramento não diminuiu. E na quarta-feira de cinzas repeti o Beta. E o resultado apareceu na tela às 16h35 (Esse é o horário no qual o Fleury sobe os exames, pois foi na mesma hora do primeiro exame) e não era o esperado. De 39 passou para apenas 52.

Pânico e mensagens com o dr. Ele, otimista, dizendo que pelo menos o valor subiu, pede mais repouso e novo exame na segunda, dia 10. Assim, com muito choro, o saco cheio de ficar na cama e muita pesquisa na internet - que certamente só cria minhocas em excesso - estou aqui ainda no meu Carnaval. Pensando sobre gravidez ectópica (resumidamente: quando o embrião se fixa no lugar errado), em aborto (porque isso ocorre quando a evolução do Beta não é de acordo com o esperado) e tudo o mais de ruim que alguém pode ler.

Zero concentração, não consigo ler, não consigo ver nada que exija o mínimo de raciocínio. Estou aqui. Consegui a proeza de, ontem, ver pela manhã 3 vezes amor, com a Isla Fischer. Na sequência, vi Para Sempre, com a Rachel McAdams. Pasme, depois as duas se encontraram a tarde em Penetras Bom de Bico.

E é isso. Até segunda, no news...