sexta-feira, 28 de março de 2014

Tapa na cara

Você está correndo. Mais do que nunca. Fazendo dieta bonitinho conforme orientação da nutricionista. Cumprindo com as metas imaginárias que está deixando só na sua cabeça. OK. Se agarrando em qualquer coisa para não enlouquecer por nossa cabeça é algo fantástico. Ela pode te levantar ou te derrubar. Incrível: se fico triste por xyz, logo o neurônio, aquele, pequenino, perdido lá atrás no emaranhado de conexões, resolve fazer uma simples e pequena sinapse me lembrando do que não deu certo. Claro, às vezes o calendário ajuda porque você lembra que dia tal seria algo não sei o quê e por ai afora. Se fico feliz, logo o outro neurônio (um deve ser o Tico e o outro o Teco) me lembra que não posso esbanjar alegria porque nem tudo está dando certo e só testarei e tentarei de novo em julho. E aí já era. Você lembra que já tá ficando velha, que a reserva ovariana não é infinita e já pré-definida quando você nasceu, que fulana fez testes de trombofilia e seu médico nem cogitou algo assim, que você não quer ser aquelas mulheres amarguradas na vida se nada der certo, que um processo de adoção leva uns três anos, que crianças, na minha época de escola eram cruéis com as crianças que eram adotivas... Enfim, uma droga, um emaranhado de pensamentos, minhocas e besteiras.

Mas voltando ao tema: sim, você está, tentando. Se agarrando a qualquer coisa. Mas aí não vale quando um perfil de instagram chamado @belasmaes começa a te seguir. É tipo um tapa na cara.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Correr para superar

Coloquei como meta correr quatro ou cinco vezes por semana. Mas hoje tive de rever a ideia. Claro, o foco é emagrecer (apesar de ainda não ter conseguido retomar a dieta), mas a agenda extra-oficial inclui o esporte como algo para me fortalecer psicologicamente: superação nos resultados, foco e força.

Mas já vi que não será fácil. Voltei na segunda aos treinos cedinho. Ontem, pela primeira vez fui correr sozinha, às 6h10, na avenida Sumaré, que eu odeio (diga-se de passagem), mas resolve por ser ali na minha porta. Fui bem, odiando cada pedaço de subida. Sim, a avenida é uma longa subida disfarçada de retão, tipo falsa magra. Fui, ultrapassei os trechos tradicionais e fui um pouco além. E estava bem, administrando a frequência, andando quando precisava baixar um pouco. Bem mesmo. Mas depois e até agora sinto dores em todo o corpo. Parece que corri uma maratona. E tive de pular o treino de hoje no Pacaembu. O corpo pediu e respeitei. Meus braços dóem, as pernas dóem. Tudo dói.

Se essa dor servir para fortalecer para a próxima jornada, tá valendo, mas não sei não.


segunda-feira, 17 de março de 2014

Eu voltei... (sobe BG com a música do Robertão)

Hoje eu voltei para os meus treinos de corrida. Acordei às 5h40 sem muita dificuldade. Na verdade estava até ansiosa na noite anterior, com o uniforme todo arrumadinho e organizado.

Não foi um treino fácil depois de dois meses parada. Mas sai na disparada já no aquecimento na primeira volta na Praça Charles Miller. Óbvio que quase morri com a frequência nas alturas, mas eu precisava disso. Depois segurei um pouco a onda e consegui terminar tudo direitinho sem ter um ataque cardíaco. E fiz tudinho. Como eu precisava correr para realmente voltar à vida normal. Só eu sei o quanto.

quarta-feira, 12 de março de 2014

O bode começa a sair da sala

(Dia 11/3)
Dúvidas tiradas, o bode do cantinho da sala começa a sair (apesar de o sangramento parecer infinito) e ficam algumas informações preciosas, de especialista, para as "tentantes" (que chata essa denominação que as próprias se dão...):

1. Mesmo que o Beta não suba tanto ou dobre, siga o procedimento e o medicamento. Às vezes há um pequeno "engasgo", mas depois as coisas deslancham;

2. Mesmo com sangramento, siga com o procedimento medicamentoso e o repouso. Isso pode fazer as coisas deslancharem. As vezes, pode ser a perda de um dos embriões, mas o outro pode ainda estar lutando para se fixar bem;

3. Depois de um aborto, o ideal é esperar os dois próximos ciclos. Não há data certa para o primeiro ciclo ocorrer por causa dos hormônios. Depois disso, deve-se fazer um ultrassom para verificar se está tudo OK e esperar o próximo ciclo para verificar se está regulado. Além de o organismo ficar "limpo" das doses altíssimas de hormônios;


4. Há estudos que mostram taxa maior de sucesso com as células congeladas (que na verdade são vitrificadas);


5. Mulheres que tiveram positivo e abortaram ainda assim têm mais chances de sucesso nas próximas tentativas. Isso mostra redução de outros tipos de problemas que precisam ser investigados entre as mulheres que de cara já tiveram negativo. Por isso, não faça como eu e não diga ao seu médico que era melhor dar negativo já de cara. (Claro, o sofrimento parece ser menor, já assim pá pum, sem doses homeopáticas de esperança.);


6. Beta alto não é sinônimo de gravidez gemelar. Nesse caso, pode sim começar baixo e depois de um tempo subir mais.


Agora, é voltar à vida normal. 

Volto à ela com uma meta: voltar à minha corrida (que era tudo o que eu queria ter feito no domingo) e emagrecer pelo menos 10 quilos até a próxima tentativa. Para essa próxima tentativa, não há pressa. Os bichinhos estão lá congeladinhos (aliás, vitrificados), à minha espera.

Day after

Com os olhos bem inchados acordei por volta das 9h no dia seguinte e a primeira providencia foi ligar para o consultório do dr. Marcelo. Pedi um encaixe no mesmo dia.
- "Ele só tem data a partir de 31 de março".
- "Não, querida, você não está entendendo. Eu fiz uma fertilização, sofri um aborto e preciso falar com ele".
- "Me deixe seu nome e telefone para eu anotar e verificar com ele".
- "Alessandr..... etc e tal...."

Com minha paciência que é característica, enquanto ela ainda desligava o telefone eu já tinha enviado um torpedo para o dr.

Em menos de 30 minutos eu já tinha minha consulta marcada para o dia seguinte às 10h30.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Sem mais alarmes (e alardes)

E no domingo, dia 9, eu desliguei os seis alarmes com horários diversos para os remédios.
***

Passei os últimos dias em repouso sem sair da cama (apenas bio break e comer fora dela), sob vigilância extrema. E com muito sangramento, que começou fraquinho no sábado passado e ficou forte na segunda, com cólicas. Óbvio, havia algo de errado, apesar de o Beta ter subido um pouco na quarta. Enfim, resolvi ligar hoje novamente para o dr. Ele pediu novamente que eu esperasse amanhã para o novo Beta ou que eu fosse ao Hospital Santa Joana para passar pelo pronto-atendimento e ligar de lá para ele, para que fosse feito um Beta e um ultrassom. Foram quase 5 horas lá. Um ultrassom sem me mostrar o que eu queria ver (e isso é normal para o que seria uma gravidez de 5 semanas e seis dias - ainda não se vê nada mesmo quando está tudo bem). Mas não era o caso: a combinação do resultado do Beta (na verdade, só isso já mostrava a real) com o ultrassom era uma clara resposta ao meu sentimento de que havia algo bem errado. Sim, eu tive um aborto. Não sei causa, se a gravidez era ectópica ou qualquer outro detalhe. Mas foi isso. O resultado do Beta foi de 6,64. Meu corpo estava expelindo os bichinhos e isso fazia gradativamente o volume do hormônio hcg cair.

Por mais que o sentimento de medo já existisse - bem como a sapiência de que muitas vezes não dá certo na primeira tentativa -, vem um sentimento de luto. Tudo muito estranho, um luto estranho, mas um luto.

Um luto por quem (ou algo) que eu nunca vi. Mentira. Eu vi sim. Vi ele surgir, em dia e hora marcada. E com a bexiga muito cheia.

Estou sentindo luto pelo sapatinho e pelo livro sobre gravidez que não consegui comprar no dia seguinte ao ver o Beta positivo pela primeira vez. E luto pelas roupinhas guardadas que tenho desde 2009, quando fui para Nova York.

O luto é pelo menino morto espancado por seu pai simplesmente para "largar mão de besteira e ser homem de verdade". Luto pelas mães que largaram seus filhos em lixeiras, sacos dentro do rio.

Luto pelas mulheres que estão "tentando" ter seus filhos já há seis, sete anos. Depois de inúmeras tentativas e métodos, continuam, firmes e fortes, mas com uma melancolia constante.

Estranho, mas tudo isso passou pela minha cabeça nas horas seguintes à certeza do que eu já sentia dias atrás.

Li sobre uma mulher que já tem quatro filhos e casou-se novamente. E está fazendo o tratamento de FIV para dar um filho a esse novo marido porque ele quer um filho. Oi? Isso é sinal de amor - um filho a qualquer preço??? Isso me deixa em luto.

Luto pelos poucos planos que Edu e eu ousamos começar a fazer. Juro que foram bem poucos, porque eu sempre lembrava da possibilidade de falha. Isso é triste. Sonhar com limites por conta dos limites da ciência.

Pedem que eu siga em frente. Preciso tomar as providências e entender os próximos passos com o dr. Mas é impossível não fazer as contas e pensar que eu apliquei  14 injeções, usei 12 caixas de Utrogestan, 3 caixas de Primogyna e outros mais...

E, num surto de me colocar no lugar dos outros, tive o pensamento típico escroto-machista de que tudo foi privada e em absorventes abaixo (nojento, eu sei, mas as rotinas desse tratamento são nojentas mesmo e os incomodados que passem ao próximo blog de moda, look do dia ou para as páginas dos pôneis e afins).

Vou parar de pensar um pouco. Lola aqui do meu lado só me olha. Entendeu quando eu disse que estava sem saco: afastou a carinha, virou e suavemente se deitou apoiando o corpo em minha perna. E, assim, compartilhou comigo e o Edu esse luto estranho.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Meu Carnaval

E por que segredo? Você vai entender: o processo é todo muito sensível. E a gravidez é vista muito no começo (normalmente as mulheres se vêem grávidas após um ou dois meses) e isso faz com que ela seja quase efêmera. Por isso é preciso fazer a repetição do exame Bhcg (o famoso Beta) duas ou três vezes para que seja vista a subida do hormônio hcg no organismo da mulher. Em média, a cada dois dias esse valor hormonal precisa dobrar.

No meu caso, na quarta-feira de cinzas eu faria a repetição do exame. Mas antes disso meu Carnaval passou de um feriado durante o qual eu iria ao menos ao cinema para um feriado na cama. Mesmo. Comecei, no sábado, a ter um pequeno sangramento. Vamos lá incomodar o dr. em seu Carnaval também. Tudo sob controle segundo ele, mas devo começar a tomar Dactil OB, que pelos meus estudos científicos de bulas, evita partos prematuros e cólicas. OK, no domingo melhoro um pouco, mas na segunda era como se eu estivesse ficando menstruada a décima potência. Cólicas como não tinha fazia anos e realmente muito sangue. A ordem passa a ser repouso total e, além de Primogyna, Utrogestan, Dactil OB, devo tomar também Duphaston (mais progesterona).

Pela primeira vez na vida eu sigo corretamente os horários dos medicamentos. Tudo estaria bem se todos fossem de 8 em 8 horas. Mas não. Eu passaria a acordar às 4 da matina para tomar um deles. E assim foi. Mas o sangramento não diminuiu. E na quarta-feira de cinzas repeti o Beta. E o resultado apareceu na tela às 16h35 (Esse é o horário no qual o Fleury sobe os exames, pois foi na mesma hora do primeiro exame) e não era o esperado. De 39 passou para apenas 52.

Pânico e mensagens com o dr. Ele, otimista, dizendo que pelo menos o valor subiu, pede mais repouso e novo exame na segunda, dia 10. Assim, com muito choro, o saco cheio de ficar na cama e muita pesquisa na internet - que certamente só cria minhocas em excesso - estou aqui ainda no meu Carnaval. Pensando sobre gravidez ectópica (resumidamente: quando o embrião se fixa no lugar errado), em aborto (porque isso ocorre quando a evolução do Beta não é de acordo com o esperado) e tudo o mais de ruim que alguém pode ler.

Zero concentração, não consigo ler, não consigo ver nada que exija o mínimo de raciocínio. Estou aqui. Consegui a proeza de, ontem, ver pela manhã 3 vezes amor, com a Isla Fischer. Na sequência, vi Para Sempre, com a Rachel McAdams. Pasme, depois as duas se encontraram a tarde em Penetras Bom de Bico.

E é isso. Até segunda, no news...

sábado, 1 de março de 2014

Positivo (xiiii, é segredo!!!)

Quinta-feira era o Dia D. Hora de fazer o exame Betahcg (BHCG), após 14 dias da implantação dos dois blastocistos. Óbvio, não dormi direito. 4 da matina e já estava em pé. Banho às 5h e logo cedo no Fleury. Quem sabe? Quanto mais cedo eu fizesse o exame, mais cedo sairia o resultado. Oficialmente era prometido para as 18h. Mas eu já tinha a certeza de que havia algo errado. Uma sensação de que menstruaria naquele dia. Estava sentindo isso já desde o dia anterior. Mas ok. Fiz e fiquei feliz que a atendente falou que por volta de meio-dia já deveria estar pronto o resultado. Ledo engano.

Passei a manhã atualizando a página do laboratório na internet a cada 10 minutos. Eu fazendo isso de um lado e o Eduardo do outro. Meio-dia e nada. Já estava enlouquecendo.

Sai mais às 15h50 do trabalho para não pegar o rodízio mas a Castelo estava completamente parada com a Marginal Tietê congestionada. Ferrou. Ou vou levar multa ou terei de desviar para Osasco. Mas arrisquei e achei que chegaria a tempo de me refugiar no shopping Villa-Lobos. No caminho, desesperadamente atualizava a página no iPhone. Até que eram 16h36 e apareceu. Mas não consegui ver. Nesse exato momento o Eduardo ligou e a página sumiu. Meio em dúvida ele disse que era positivo. Tremi, mas ele disse que estava em dúvida (os valores de referência falavam em volumes de milhares e o resultado não era em milhar), apesar de uma nota no fim do exame dizer que se o objetivo era confirmar a gravidez o resultado era POSITIVO. Atônitos, desligamos e eu ligaria para o dr. Marcelo Afonso Gonçalves. Nada de me atenderem nos telefones da clínica. Eu tentando e o Eduardo ligando para mim, mandando whatsapp, SMS e eu ainda tentando não levar multa. Pelo menos isso eu consegui, às 17h, cravado, entrei no Villa-Lobos. Respirei e aí sim continuei tentando falar com ele (ao saber o resultado, a ordem era ligar para ele).

Liguei no celular, coisa que não gosto de fazer. Caixa postal. Um segundo depois ele me liga, pergunta o valor e onde fiz. E então me dá os parabéns. Ai a coisa começa a se materializar mesmo. Mas mesmo assim ele pede para que eu continue com todos os remédios, caprichando, e que eu não fale nada para ninguém ainda, pois o valor do resultado precisa mais que dobrar na quarta de Carnaval. Liguei para o Eduardo e confirmei e tive uma vontade imensa de chorar. Mas chorar sozinha no meio do shopping é, no mínimo, meio estranho. Então o Eduardo veio ficar comigo (ja que é do lado de seu trabalho). Mas a essa altura o chorro já tinha passado. Ele querendo comemorar e eu preocupada com a próxima etapa, para garantir o desenvolvimento do bichinho.