120 horas se passaram. E foi negativo mesmo. E mesmo só para confirmar o doído negativo tive sofrimento extra. Não fiz o exame logo pela manhã, quando abre o laboratório fui às 8 e pouco. Isso fez com que o exame não tivesse o resultado liberado às tradicionais 16h. E, durante a espera, ato contínuo de atualizar de segundo em segundo a partir desse horário, o site resolveu sair do ar. Foram uns 5 minutos de apreensão, mas ele voltou. E por volta de 18h20 eu confirmei o que não queria ver. "Indetectável".
A dor já nem era mais a mesma. Ou era. Uma estranha conhecida. Um luto por alguém que ainda nem era. Mas era. Ou poderia ter sido.
Já chorei, me recolhi, fiz com que me odiassem por pedir um tempo para um silêncio. Depois, me refiz pouco a pouco, com a Lola no colo (minha eterna companheira, enquanto o marido viaja). E no terceiro dia voltei ao trabalho. Exatamente do mesmo jeito que nos dias anteriores. A única mudança foi voltar sem a certeza de que dessa vez estava tudo certo, nos eixos.
Agora, é me colocar de novo nos eixos.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Mais 48 horas...
"OBS.: Devido aos níveis encontrados de gonadotrofina coriônica serem
baixos e estarem próximos à sensibilidade do método, sugerimos
repetição em nova amostra, sem ônus, após 48 horas."
Quem merece? O resultado foi de 3 ui/l. Continue com sua medicação e repita o exame na sexta-feira. Fácil para uma ansiosa, não? Facilitar um pouquinho não dava, não?
Ontem eu tinha certeza que estava prestes a menstruar: cólicas e um sangramento um pouco maior. Nada aconteceu mas fiz repouso. Viciei em Mad Men e, até lá, o casal que não conseguia engravidar descobriu que deu certo sem querer!
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Pode ter mas pode não ter
Amanhã eu faço o famigerado exame BHCG. E desde dias atrás tenho medo de ir ao banheiro. Como já falei antes, qualquer coisa pode ser qualquer coisa (entendeu?). Mesmo. Pq? Porque há sintomas, mas não há sintomas. Não há um padrão: tem a tal da nidação, mas pode não ter. Pode ter cólica, pode ter dor nos seios, pode ter sangue - muito ou pouco. Mas pode não ter. Ou pode ter a combinação de a com c, ou de d com f.... Ou seja, não se consegue saber se está indo bem ou não.
Estava quase certa de que estava dando certo. Mas no sábado surtei e tinha a certeza de que já havia algo errado. Depois já não sabia de mais nada. E amanhã, só sei que vou atualizar o site do Fleury umas 387 vezes, mesmo sabendo que o exame só sairá às 16h.
Estava quase certa de que estava dando certo. Mas no sábado surtei e tinha a certeza de que já havia algo errado. Depois já não sabia de mais nada. E amanhã, só sei que vou atualizar o site do Fleury umas 387 vezes, mesmo sabendo que o exame só sairá às 16h.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
E segura a ansiedade
E eis que passei quatro dias em repouso quase que absoluto após a transferência, no dia 11. Não escapei do sofrimento da bexiga explodindo: cheguei com ela vazia e comecei a me encher de água. Não estava funcionando. Tomei mais água... até o início do procedimento, quase morri. Era tão cheia que estava difícil de ver o útero. Mas deu tudo certo. Agora estou domando a ansiedade. Milhares de filmes, o novo vício em Mad Men estão me contendo. Por enquanto realmente estou me sentindo bem, sem tanta ansiedade.
A medicação continua bem regradinha: Utrogestan, Primogyna e Duphaston, além de vitamina D, ácido fólico e complexo multivitamínico.
A sensação é um pouco estranha em relação à primeira tentativa. Sei lá o motivo, mas está sendo assim. Claro que qualquer movimento peristáltico na minha cabeça é algo diferente disso...
Hoje já voltei ao trabalho e isso ajuda também. And counting...
A medicação continua bem regradinha: Utrogestan, Primogyna e Duphaston, além de vitamina D, ácido fólico e complexo multivitamínico.
A sensação é um pouco estranha em relação à primeira tentativa. Sei lá o motivo, mas está sendo assim. Claro que qualquer movimento peristáltico na minha cabeça é algo diferente disso...
Hoje já voltei ao trabalho e isso ajuda também. And counting...
terça-feira, 9 de setembro de 2014
E eis que de um ciclo maluco...
E de um ciclo que apareceu do nada, a base de muito hormônio, o endométrio resolveu ser bonzinho e acabou por evoluir. É isso. Nesta quinta-feira faço a TEC (Tranferência de Embriões Congelados). Vamos ver o que vai dar. Espero que corra tudo bem.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
O panda, o guaxinim e a arara azul
Cada vez que alguém pergunta "E vocês.... Quando vem o bebê?", um panda se enforca.
Cada vez que alguém pergunta "Já tem filhos?", um guaxinim selvagem morre engasgado com o próprio pelo.
Cada vez que alguém diz "Seus pais querem mais netos e seus sobrinhos querem priminhos.... E isso não é uma indireta, é direta mesmo" uma arara azul rara da Amazônia dá uma de kamikaze e se joga num vôo mortal, mergulhando na pororoca.
Sem mais.
Cada vez que alguém pergunta "Já tem filhos?", um guaxinim selvagem morre engasgado com o próprio pelo.
Cada vez que alguém diz "Seus pais querem mais netos e seus sobrinhos querem priminhos.... E isso não é uma indireta, é direta mesmo" uma arara azul rara da Amazônia dá uma de kamikaze e se joga num vôo mortal, mergulhando na pororoca.
Sem mais.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Qualquer hipótese é devastadora para um ansioso
E aí que fui na consulta da segunda e o endométrio resolveu não ajudar. Nada de evoluir. Seguimos em frente já sabendo de uma próxima consulta na quinta (passada, quando seria a data da TEC) e a possibilidade de transferência na sexta ou... só no mês que vem. E aí que está o problema. Qualquer hipótese (seja ela boa ou ruim) é devastadora para um ansioso.
Bom, na consulta da quinta confirmamos que realmente o endométrio se rebelou e resolveu ficar onde estava, preparado porém não espesso. Toca abandonar de novo a medicação e esperar o próximo ciclo. Chorar um pouquinho também, afinal de contas, só nos damos conta de que o tempo está andando quando precisamos dele. Sem falar, obviamente do fator ansiedade. Mais um mês de espera. Quem aguenta?
Pois bem... aí você para com a medicação na própria quinta-feira tentando ser resiliente e educadinha para esperar novamente e não mais que de repente, no sábado, você que menstruou há 19 dias resolve menstruar de novo. Deu defeito. Mas OK, avisamos ao médico e voltamos com a medicação (Primogyna, de oito em oito horas, dessa vez).
Agora é esperar a próxima consulta para ultrassom na segunda-feira que vem. E tentar entender o que houve? Foi a parada na medicação que gerou esse ciclo tão curto? Estou dando tilt? Muito estranho...
Bom, na consulta da quinta confirmamos que realmente o endométrio se rebelou e resolveu ficar onde estava, preparado porém não espesso. Toca abandonar de novo a medicação e esperar o próximo ciclo. Chorar um pouquinho também, afinal de contas, só nos damos conta de que o tempo está andando quando precisamos dele. Sem falar, obviamente do fator ansiedade. Mais um mês de espera. Quem aguenta?
Pois bem... aí você para com a medicação na própria quinta-feira tentando ser resiliente e educadinha para esperar novamente e não mais que de repente, no sábado, você que menstruou há 19 dias resolve menstruar de novo. Deu defeito. Mas OK, avisamos ao médico e voltamos com a medicação (Primogyna, de oito em oito horas, dessa vez).
Agora é esperar a próxima consulta para ultrassom na segunda-feira que vem. E tentar entender o que houve? Foi a parada na medicação que gerou esse ciclo tão curto? Estou dando tilt? Muito estranho...
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Na próxima quinta, se o endométrio quiser e as divagações ajudarem
E o medo de não dar certo novamente vem. Ontem fui ao dr. para um ultrassom. Como será uma TEC (Transferência de Embrião Congelado), cujo embrião é, na verdade, vitrificado (seja lá o que isso for...), não há grandes cuidados prévios. Tomo Primogyna a cada 12 horas com o objetivo de aumentar a espessura do endométrio, que fica na parede do útero e acaba sendo o local onde o embrião é "colocado".
Tenho mais uma consulta na próxima segunda-feira e, se tudo estiver OK, com endométrio mais espesso, vamos para a transferência na quinta-feira. Tudo muito simples. Mas simples seria se a cabeça acompanhasse toda essa simplicidade. Claro que não. Faço longos e chatos flashbacks de quando tudo desandou, penso em datas e coisas que aconteceram no mesmo período - aniversário de fulano, nascimento de beltrano... O que faz as coisas serem ainda mais marcantes. Uma eterna chatice. Coisa de pessoa ansiosa.
E ansiosa que sou, penso em todas as piores coisas e mazelas que envolvem uma gravidez ou um filho. Morte no parto, crianças especiais. Um horror. Eu sei. Cabeça de louca. Mas, como nada é tão ruim que não possa piorar, um pai de 5 filhos - um deles especial - morre na mesma semana em que ensaiava publicar esse post. Fácil, né? Só que não.
Respira, respira.... e procura terapia, minha filha!
Respira, respira.... e procura terapia, minha filha!
terça-feira, 29 de julho de 2014
Conclusão: adolescentes
Neste fim de semana fui a uma festinha infantil. Família querida, pequena mais querida ainda com seu coque de cabelos meio louros meio ruivos cacheados e seu agasalho de caveiras em formato de meigos gatinhos. A festinha era da Peppa, aquela porquinha acusada de ser meio da pá virada, meio feminista, mas que meu sobrinho ama. Ele, Gabriel, e Clarice, a aniversariante rock&roll, amam Peppa.
Entre um enroladinho de salsicha e uma bolinha de queijo acompanhada de um copo de refrigerante, tive muito tempo de refletir. Comi tanto que acho que já estava tendo barato. E isso causou pensamentos bem malucos. Um deles, apesar de cheirar a pão de queijo, no fim das contas me pareceu bem lúcido.
Olhei ao redor e, sem contar os mais jovens - bem mais jovens -, éramos o único casal sem filhos da garagem. Alguns traziam os rebentos ainda na barriga. Sim, festa de criança na garagem com piscina de bolinha e petizes lambuzados de meleca de farinha-água-óleo-anilina. Uma farra. A aniversariante estava literalmente untada em farinha. Parecia um cupcake. Na forminha.
(Eu não comi coxinhas, mas devo estar com barato agora. Não estou conseguindo escrever de maneira linear. É tema que entra no tema. Sairia um texto, mais ou menos assim, - bonitinho -, mas meio enrolado. Foca e volta.)
Como únicos sem filhos, ouvia os gritos, observava um puxando os cabelos dos outros, um tal de "me dá","é meu", "mãe...." com um divertido distanciamento. Havia filhos do estilo bicho-grilo, refletindo o estilo de seus pais; outros no melhor estilo caipira - minha mãe dizia: "larga da minha saia, dá oi pra todo mundo. Tá parecendo caipira" -, empolados na barra da mãe e o dedo na boca.
E quanto mais eu me distanciava, o barulho ia ficando lá longe, eu mandava ver mais um risole e viajava. A ponto de chegar a uma conclusão. Aquela, bem lúcida lá de cima: os adultos casados sem filhos representam os adolescentes da maturidade.
Meu cônjuge certamente mesmo antes dessa descoberta não entrava na lista dos maduros. Ele come salsicha com miojo e é viciado em Baconzitos com Coca-Cola.
Adolescentes não repreendem ninguém. Eles não precisam. Mas são repreendidos. Cada vez que alguém me pergunta sobre os filhos é assim que me sinto. Uma adolescente repreendida. E a minha vontade, boca suja que sou, é, depois de mandar à m...., é sugerir a cada interessado nos meus futuros rebentos que contribua com uma parcela polpuda para resolvermos o problema. Mas não, explicamos com um sorriso amarelo a questão da FIV. Uma verdadeira ladainha. E a vontade adolescente é de se trancar no quarto com o som no máximo. Xingando a tudo e a todos. Quem eles pensam que são?
O fato é que adolescentes dão o próximo passo. Mas e os adolescentes da idade adulta impelidos a essa condição por "causas alheias à nossa vontade" (sempre quis escrever isso, é tão adulto...)? Como fazer?
Vou ficar com essa questão: Como fazer? Enquanto isso vou para a balada, bem adolescente, com direito a festa do pijama, buffet de besteiras, e a devolver o petiz para a mamãe ao primeiro sinal de fralda radioativa.
Entre um enroladinho de salsicha e uma bolinha de queijo acompanhada de um copo de refrigerante, tive muito tempo de refletir. Comi tanto que acho que já estava tendo barato. E isso causou pensamentos bem malucos. Um deles, apesar de cheirar a pão de queijo, no fim das contas me pareceu bem lúcido.
Olhei ao redor e, sem contar os mais jovens - bem mais jovens -, éramos o único casal sem filhos da garagem. Alguns traziam os rebentos ainda na barriga. Sim, festa de criança na garagem com piscina de bolinha e petizes lambuzados de meleca de farinha-água-óleo-anilina. Uma farra. A aniversariante estava literalmente untada em farinha. Parecia um cupcake. Na forminha.
(Eu não comi coxinhas, mas devo estar com barato agora. Não estou conseguindo escrever de maneira linear. É tema que entra no tema. Sairia um texto, mais ou menos assim, - bonitinho -, mas meio enrolado. Foca e volta.)
Como únicos sem filhos, ouvia os gritos, observava um puxando os cabelos dos outros, um tal de "me dá","é meu", "mãe...." com um divertido distanciamento. Havia filhos do estilo bicho-grilo, refletindo o estilo de seus pais; outros no melhor estilo caipira - minha mãe dizia: "larga da minha saia, dá oi pra todo mundo. Tá parecendo caipira" -, empolados na barra da mãe e o dedo na boca.
E quanto mais eu me distanciava, o barulho ia ficando lá longe, eu mandava ver mais um risole e viajava. A ponto de chegar a uma conclusão. Aquela, bem lúcida lá de cima: os adultos casados sem filhos representam os adolescentes da maturidade.
Meu cônjuge certamente mesmo antes dessa descoberta não entrava na lista dos maduros. Ele come salsicha com miojo e é viciado em Baconzitos com Coca-Cola.
Adolescentes não repreendem ninguém. Eles não precisam. Mas são repreendidos. Cada vez que alguém me pergunta sobre os filhos é assim que me sinto. Uma adolescente repreendida. E a minha vontade, boca suja que sou, é, depois de mandar à m...., é sugerir a cada interessado nos meus futuros rebentos que contribua com uma parcela polpuda para resolvermos o problema. Mas não, explicamos com um sorriso amarelo a questão da FIV. Uma verdadeira ladainha. E a vontade adolescente é de se trancar no quarto com o som no máximo. Xingando a tudo e a todos. Quem eles pensam que são?
O fato é que adolescentes dão o próximo passo. Mas e os adolescentes da idade adulta impelidos a essa condição por "causas alheias à nossa vontade" (sempre quis escrever isso, é tão adulto...)? Como fazer?
Vou ficar com essa questão: Como fazer? Enquanto isso vou para a balada, bem adolescente, com direito a festa do pijama, buffet de besteiras, e a devolver o petiz para a mamãe ao primeiro sinal de fralda radioativa.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Vamos lá de novo
Eu não emagreci o queria. Mas é o que temos para hoje. Quase 5 quilos e boa parte deles transformada em massa magra. Estava indo bem nos treinos, focada na alimentação - levando marmitão para o trabalho - mas fiquei com uma bela sinusite, teve uma gigante recaída e lá se foram 24 dias de antibióticos e nada de uma cura definitiva. E aí tudo foi por água abaixo.
Quase não treinei neste mês, quase não comi direito. Ainda mantendo o peso mais ou menos estável. Mas amanhã tenho nutricionista e o resultado será novamente ruim. E o pior: em breve precisarei parar com a reeducação alimentar tão restritiva. Vou voltar ao tratamento.
Últimos exames em perfeito estado. E lá vamos nós para a TEC (Transferência de Embrião Congelado). Dizem que quando o embrião fica vitrificado (esse é o nome correto), ele fica mais resistente. Tomara mesmo, porque são os dois últimos embriões que tenho reservados.
Agora é esperar o próximo ciclo, avisar o doutor e começar com Primogyna no segundo dia do ciclo. E passar a comer um pouco mais. Ordens da nutri.
Boa sorte para mim.
Quase não treinei neste mês, quase não comi direito. Ainda mantendo o peso mais ou menos estável. Mas amanhã tenho nutricionista e o resultado será novamente ruim. E o pior: em breve precisarei parar com a reeducação alimentar tão restritiva. Vou voltar ao tratamento.
Últimos exames em perfeito estado. E lá vamos nós para a TEC (Transferência de Embrião Congelado). Dizem que quando o embrião fica vitrificado (esse é o nome correto), ele fica mais resistente. Tomara mesmo, porque são os dois últimos embriões que tenho reservados.
Agora é esperar o próximo ciclo, avisar o doutor e começar com Primogyna no segundo dia do ciclo. E passar a comer um pouco mais. Ordens da nutri.
Boa sorte para mim.
terça-feira, 20 de maio de 2014
De Copa ao inhame
Depois das 5 milhas, neste fim de semana fiz mais 5K na Série Delta. Percurso chatinho com muito sobe e desce. Fiz gripada. Resultado ruim, mas importa que eu fiz. Bom, por enquanto isso é o que me resta junto da dieta.
Na semana passada tive mais uma consulta com o dr. Marcelo. Mais alguns exames a fazer, muita conversa sobre tudo - de Copa e manifestações a temas do mundo ginecológico. Entre as questões desse mundo, questionei sobre a validade de as mulheres se entupirem de inhame, physalis, gelatina, abacaxi e tantas outras coisas. Como eu imaginava - depois de algumas conversas com minha amiga nutricionista - não faz sentido algum. De acordo com o dr. Marcelo, estudos mostram que comer inhame pode trazer algum benefício depois de um ano e meio. Ou seja, se você está planejando saber que terá de se tratar de infertilidade daqui um ano e meio, pode trazer benefícios. A gelatina, explicou a amiga nutricionista, também não faz sentido (ela explicou direitinho, mas só absorvi uma parte) por ser uma proteína com a cadeia muito longa, ou seja, que não é absorvida pelo organismo.
O dr. Marcelo contou ainda sobre uma paciente que disse para ele que estava tomando uma vitamina xyz importada totalmente natural. Ele pediu para ver o frasco. Pois bem, o tal componente mágico funcionava como anticoncepcional. Ou seja antes de comprar uma fazenda e passar a plantar inhame, gastar os tubos comendo physalis (porque é carinha), tornar-se acionista da Royal ou Dr. Oetker, o melhor é escolher um médico de confiança e seguir estritamente o tratamento.
--
Dia das Mães. Um único comentário: achei que não me afetaria em nada. Mas fez um estrago considerável.
Na semana passada tive mais uma consulta com o dr. Marcelo. Mais alguns exames a fazer, muita conversa sobre tudo - de Copa e manifestações a temas do mundo ginecológico. Entre as questões desse mundo, questionei sobre a validade de as mulheres se entupirem de inhame, physalis, gelatina, abacaxi e tantas outras coisas. Como eu imaginava - depois de algumas conversas com minha amiga nutricionista - não faz sentido algum. De acordo com o dr. Marcelo, estudos mostram que comer inhame pode trazer algum benefício depois de um ano e meio. Ou seja, se você está planejando saber que terá de se tratar de infertilidade daqui um ano e meio, pode trazer benefícios. A gelatina, explicou a amiga nutricionista, também não faz sentido (ela explicou direitinho, mas só absorvi uma parte) por ser uma proteína com a cadeia muito longa, ou seja, que não é absorvida pelo organismo.
O dr. Marcelo contou ainda sobre uma paciente que disse para ele que estava tomando uma vitamina xyz importada totalmente natural. Ele pediu para ver o frasco. Pois bem, o tal componente mágico funcionava como anticoncepcional. Ou seja antes de comprar uma fazenda e passar a plantar inhame, gastar os tubos comendo physalis (porque é carinha), tornar-se acionista da Royal ou Dr. Oetker, o melhor é escolher um médico de confiança e seguir estritamente o tratamento.
--
Dia das Mães. Um único comentário: achei que não me afetaria em nada. Mas fez um estrago considerável.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
5 Milhas
O objetivo é que não se torne um blog sobre corrida. Mas é o que temos para hoje. Ontem fiz minha primeira prova depois das duas de 5K que eu fiz em 2013 e em 2012. A primeira na raça, sem preparo algum só andando. A segunda já depois de ter iniciado a corrida. Era corrida, andava, corrida, corrida, andar...
Foi a prova de 5 Milhas. Um desastre: não consegui dormir direito de ansiedade, a rua, apesar de quase todo o percurso ser plano, estava bem fria por conta das árvores da região do Ibirapuera. Já no primeiro quilômetro a infinita vontade de ir ao banheiro, acompanhada de dor na perna (quem mandou começar já trotando se o professor mandou ir andando no começo?). Fui assim mesmo. No 3K quase me matei, parei e subi no Empurra-Empurra. Quase, mas não fui. Chorei, engoli o choro e tive uma DR de mim pra mim ou me, miself and I. Foi uma briga, mesmo. O músculo tibial ardia, o asfalto parecia que me puxava pra baixo em vez de empurrar. Conversei, conversei, pensei muita bobagem e todos os temas do mundo que pediam alguma reflexão apareceram nessa hora. E eu só tentando pensar em Energia Vital, que a dor da minha perna era mentira, que o pé não estava começando a doer. Mas parecia que tudo pesava mais.
Fui melhorando aos poucos. Mas quando achava que podia deslanchar um pouco mais precisava me certificar se estava tudo OK com os batimentos. Os meus são bem altos e a técnica me deu um target máximo. Aí eu reduzia e andava de novo... Um horror.
Minha cara devia ser a pior possível porque um moço corredor passou por mim, olhou pra traz e me ofereceu uma água. E olha que eu estava bem nesse trecho. Imagina a minha cara de morta. Agradeci amigavelmente e disse que não precisava.
Cheguei no meio do bolo de um pessoal que estava correndo 10 Milhas. Um horror. Tempo pior do que minhas últimas corridas. Mas eu fiz. Estou me preparando para algo maior e isso é só uma parte.
Foi a prova de 5 Milhas. Um desastre: não consegui dormir direito de ansiedade, a rua, apesar de quase todo o percurso ser plano, estava bem fria por conta das árvores da região do Ibirapuera. Já no primeiro quilômetro a infinita vontade de ir ao banheiro, acompanhada de dor na perna (quem mandou começar já trotando se o professor mandou ir andando no começo?). Fui assim mesmo. No 3K quase me matei, parei e subi no Empurra-Empurra. Quase, mas não fui. Chorei, engoli o choro e tive uma DR de mim pra mim ou me, miself and I. Foi uma briga, mesmo. O músculo tibial ardia, o asfalto parecia que me puxava pra baixo em vez de empurrar. Conversei, conversei, pensei muita bobagem e todos os temas do mundo que pediam alguma reflexão apareceram nessa hora. E eu só tentando pensar em Energia Vital, que a dor da minha perna era mentira, que o pé não estava começando a doer. Mas parecia que tudo pesava mais.
Fui melhorando aos poucos. Mas quando achava que podia deslanchar um pouco mais precisava me certificar se estava tudo OK com os batimentos. Os meus são bem altos e a técnica me deu um target máximo. Aí eu reduzia e andava de novo... Um horror.
Minha cara devia ser a pior possível porque um moço corredor passou por mim, olhou pra traz e me ofereceu uma água. E olha que eu estava bem nesse trecho. Imagina a minha cara de morta. Agradeci amigavelmente e disse que não precisava.
Cheguei no meio do bolo de um pessoal que estava correndo 10 Milhas. Um horror. Tempo pior do que minhas últimas corridas. Mas eu fiz. Estou me preparando para algo maior e isso é só uma parte.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Sumi?
Por que eu venho pouco aqui ultimamente? Porque o tempo vai passando e como só me resta esperar várias coisas, tocamos a vida em frente. O tema é recorrente na cabeça, mas fica lá, no cantinho, como uma saudade antiga.
O status é esse: esperar a menstruação. Sim, ainda não menstruei. Um saco isso! Seguir com a corrida e me superar. Já consegui correr, andar, correr, correr e andar, andar, andar por 7 quilômetros. Coisa inimaginável para mim tempos atrás. Acabei tendo até uma contratura na panturrilha. Nada que não se resolvesse com uma boa massagem esportiva. E agora é seguir em frente, rumo aos 10K. E, para ajudar, em tudo (na corrida, numa futura TEC - transferência de embrião congelado, na vida, no humor, enfim, em tudo mesmo), sigo com a dieta. Amanhã é dia de retorno na nutri. Acho que me sairei bem. Claro, sempre espero por mais porque sou uma eterna insatisfeita, mas acho que estou bem.
O status é esse: esperar a menstruação. Sim, ainda não menstruei. Um saco isso! Seguir com a corrida e me superar. Já consegui correr, andar, correr, correr e andar, andar, andar por 7 quilômetros. Coisa inimaginável para mim tempos atrás. Acabei tendo até uma contratura na panturrilha. Nada que não se resolvesse com uma boa massagem esportiva. E agora é seguir em frente, rumo aos 10K. E, para ajudar, em tudo (na corrida, numa futura TEC - transferência de embrião congelado, na vida, no humor, enfim, em tudo mesmo), sigo com a dieta. Amanhã é dia de retorno na nutri. Acho que me sairei bem. Claro, sempre espero por mais porque sou uma eterna insatisfeita, mas acho que estou bem.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Tapa na cara
Você está correndo. Mais do que nunca. Fazendo dieta bonitinho conforme orientação da nutricionista. Cumprindo com as metas imaginárias que está deixando só na sua cabeça. OK. Se agarrando em qualquer coisa para não enlouquecer por nossa cabeça é algo fantástico. Ela pode te levantar ou te derrubar. Incrível: se fico triste por xyz, logo o neurônio, aquele, pequenino, perdido lá atrás no emaranhado de conexões, resolve fazer uma simples e pequena sinapse me lembrando do que não deu certo. Claro, às vezes o calendário ajuda porque você lembra que dia tal seria algo não sei o quê e por ai afora. Se fico feliz, logo o outro neurônio (um deve ser o Tico e o outro o Teco) me lembra que não posso esbanjar alegria porque nem tudo está dando certo e só testarei e tentarei de novo em julho. E aí já era. Você lembra que já tá ficando velha, que a reserva ovariana não é infinita e já pré-definida quando você nasceu, que fulana fez testes de trombofilia e seu médico nem cogitou algo assim, que você não quer ser aquelas mulheres amarguradas na vida se nada der certo, que um processo de adoção leva uns três anos, que crianças, na minha época de escola eram cruéis com as crianças que eram adotivas... Enfim, uma droga, um emaranhado de pensamentos, minhocas e besteiras.
Mas voltando ao tema: sim, você está, tentando. Se agarrando a qualquer coisa. Mas aí não vale quando um perfil de instagram chamado @belasmaes começa a te seguir. É tipo um tapa na cara.
Mas voltando ao tema: sim, você está, tentando. Se agarrando a qualquer coisa. Mas aí não vale quando um perfil de instagram chamado @belasmaes começa a te seguir. É tipo um tapa na cara.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Correr para superar
Coloquei como meta correr quatro ou cinco vezes por semana. Mas hoje tive de rever a ideia. Claro, o foco é emagrecer (apesar de ainda não ter conseguido retomar a dieta), mas a agenda extra-oficial inclui o esporte como algo para me fortalecer psicologicamente: superação nos resultados, foco e força.
Mas já vi que não será fácil. Voltei na segunda aos treinos cedinho. Ontem, pela primeira vez fui correr sozinha, às 6h10, na avenida Sumaré, que eu odeio (diga-se de passagem), mas resolve por ser ali na minha porta. Fui bem, odiando cada pedaço de subida. Sim, a avenida é uma longa subida disfarçada de retão, tipo falsa magra. Fui, ultrapassei os trechos tradicionais e fui um pouco além. E estava bem, administrando a frequência, andando quando precisava baixar um pouco. Bem mesmo. Mas depois e até agora sinto dores em todo o corpo. Parece que corri uma maratona. E tive de pular o treino de hoje no Pacaembu. O corpo pediu e respeitei. Meus braços dóem, as pernas dóem. Tudo dói.
Se essa dor servir para fortalecer para a próxima jornada, tá valendo, mas não sei não.
Mas já vi que não será fácil. Voltei na segunda aos treinos cedinho. Ontem, pela primeira vez fui correr sozinha, às 6h10, na avenida Sumaré, que eu odeio (diga-se de passagem), mas resolve por ser ali na minha porta. Fui bem, odiando cada pedaço de subida. Sim, a avenida é uma longa subida disfarçada de retão, tipo falsa magra. Fui, ultrapassei os trechos tradicionais e fui um pouco além. E estava bem, administrando a frequência, andando quando precisava baixar um pouco. Bem mesmo. Mas depois e até agora sinto dores em todo o corpo. Parece que corri uma maratona. E tive de pular o treino de hoje no Pacaembu. O corpo pediu e respeitei. Meus braços dóem, as pernas dóem. Tudo dói.
Se essa dor servir para fortalecer para a próxima jornada, tá valendo, mas não sei não.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Eu voltei... (sobe BG com a música do Robertão)
Hoje eu voltei para os meus treinos de corrida. Acordei às 5h40 sem muita dificuldade. Na verdade estava até ansiosa na noite anterior, com o uniforme todo arrumadinho e organizado.
Não foi um treino fácil depois de dois meses parada. Mas sai na disparada já no aquecimento na primeira volta na Praça Charles Miller. Óbvio que quase morri com a frequência nas alturas, mas eu precisava disso. Depois segurei um pouco a onda e consegui terminar tudo direitinho sem ter um ataque cardíaco. E fiz tudinho. Como eu precisava correr para realmente voltar à vida normal. Só eu sei o quanto.
Não foi um treino fácil depois de dois meses parada. Mas sai na disparada já no aquecimento na primeira volta na Praça Charles Miller. Óbvio que quase morri com a frequência nas alturas, mas eu precisava disso. Depois segurei um pouco a onda e consegui terminar tudo direitinho sem ter um ataque cardíaco. E fiz tudinho. Como eu precisava correr para realmente voltar à vida normal. Só eu sei o quanto.
quarta-feira, 12 de março de 2014
O bode começa a sair da sala
(Dia 11/3)
Dúvidas tiradas, o bode do cantinho da sala começa a sair (apesar de o sangramento parecer infinito) e ficam algumas informações preciosas, de especialista, para as "tentantes" (que chata essa denominação que as próprias se dão...):
1. Mesmo que o Beta não suba tanto ou dobre, siga o procedimento e o medicamento. Às vezes há um pequeno "engasgo", mas depois as coisas deslancham;
2. Mesmo com sangramento, siga com o procedimento medicamentoso e o repouso. Isso pode fazer as coisas deslancharem. As vezes, pode ser a perda de um dos embriões, mas o outro pode ainda estar lutando para se fixar bem;
3. Depois de um aborto, o ideal é esperar os dois próximos ciclos. Não há data certa para o primeiro ciclo ocorrer por causa dos hormônios. Depois disso, deve-se fazer um ultrassom para verificar se está tudo OK e esperar o próximo ciclo para verificar se está regulado. Além de o organismo ficar "limpo" das doses altíssimas de hormônios;
4. Há estudos que mostram taxa maior de sucesso com as células congeladas (que na verdade são vitrificadas);
5. Mulheres que tiveram positivo e abortaram ainda assim têm mais chances de sucesso nas próximas tentativas. Isso mostra redução de outros tipos de problemas que precisam ser investigados entre as mulheres que de cara já tiveram negativo. Por isso, não faça como eu e não diga ao seu médico que era melhor dar negativo já de cara. (Claro, o sofrimento parece ser menor, já assim pá pum, sem doses homeopáticas de esperança.);
6. Beta alto não é sinônimo de gravidez gemelar. Nesse caso, pode sim começar baixo e depois de um tempo subir mais.
Agora, é voltar à vida normal.
Volto à ela com uma meta: voltar à minha corrida (que era tudo o que eu queria ter feito no domingo) e emagrecer pelo menos 10 quilos até a próxima tentativa. Para essa próxima tentativa, não há pressa. Os bichinhos estão lá congeladinhos (aliás, vitrificados), à minha espera.
Dúvidas tiradas, o bode do cantinho da sala começa a sair (apesar de o sangramento parecer infinito) e ficam algumas informações preciosas, de especialista, para as "tentantes" (que chata essa denominação que as próprias se dão...):
1. Mesmo que o Beta não suba tanto ou dobre, siga o procedimento e o medicamento. Às vezes há um pequeno "engasgo", mas depois as coisas deslancham;
2. Mesmo com sangramento, siga com o procedimento medicamentoso e o repouso. Isso pode fazer as coisas deslancharem. As vezes, pode ser a perda de um dos embriões, mas o outro pode ainda estar lutando para se fixar bem;
3. Depois de um aborto, o ideal é esperar os dois próximos ciclos. Não há data certa para o primeiro ciclo ocorrer por causa dos hormônios. Depois disso, deve-se fazer um ultrassom para verificar se está tudo OK e esperar o próximo ciclo para verificar se está regulado. Além de o organismo ficar "limpo" das doses altíssimas de hormônios;
4. Há estudos que mostram taxa maior de sucesso com as células congeladas (que na verdade são vitrificadas);
5. Mulheres que tiveram positivo e abortaram ainda assim têm mais chances de sucesso nas próximas tentativas. Isso mostra redução de outros tipos de problemas que precisam ser investigados entre as mulheres que de cara já tiveram negativo. Por isso, não faça como eu e não diga ao seu médico que era melhor dar negativo já de cara. (Claro, o sofrimento parece ser menor, já assim pá pum, sem doses homeopáticas de esperança.);
6. Beta alto não é sinônimo de gravidez gemelar. Nesse caso, pode sim começar baixo e depois de um tempo subir mais.
Agora, é voltar à vida normal.
Volto à ela com uma meta: voltar à minha corrida (que era tudo o que eu queria ter feito no domingo) e emagrecer pelo menos 10 quilos até a próxima tentativa. Para essa próxima tentativa, não há pressa. Os bichinhos estão lá congeladinhos (aliás, vitrificados), à minha espera.
Day after
Com os olhos bem inchados acordei por volta das 9h no dia seguinte e a primeira providencia foi ligar para o consultório do dr. Marcelo. Pedi um encaixe no mesmo dia.
- "Ele só tem data a partir de 31 de março".
- "Não, querida, você não está entendendo. Eu fiz uma fertilização, sofri um aborto e preciso falar com ele".
- "Me deixe seu nome e telefone para eu anotar e verificar com ele".
- "Alessandr..... etc e tal...."
Com minha paciência que é característica, enquanto ela ainda desligava o telefone eu já tinha enviado um torpedo para o dr.
Em menos de 30 minutos eu já tinha minha consulta marcada para o dia seguinte às 10h30.
- "Ele só tem data a partir de 31 de março".
- "Não, querida, você não está entendendo. Eu fiz uma fertilização, sofri um aborto e preciso falar com ele".
- "Me deixe seu nome e telefone para eu anotar e verificar com ele".
- "Alessandr..... etc e tal...."
Com minha paciência que é característica, enquanto ela ainda desligava o telefone eu já tinha enviado um torpedo para o dr.
Em menos de 30 minutos eu já tinha minha consulta marcada para o dia seguinte às 10h30.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Sem mais alarmes (e alardes)
E no domingo, dia 9, eu desliguei os seis alarmes com horários diversos para os remédios.
***
Passei os últimos dias em repouso sem sair da cama (apenas bio break e comer fora dela), sob vigilância extrema. E com muito sangramento, que começou fraquinho no sábado passado e ficou forte na segunda, com cólicas. Óbvio, havia algo de errado, apesar de o Beta ter subido um pouco na quarta. Enfim, resolvi ligar hoje novamente para o dr. Ele pediu novamente que eu esperasse amanhã para o novo Beta ou que eu fosse ao Hospital Santa Joana para passar pelo pronto-atendimento e ligar de lá para ele, para que fosse feito um Beta e um ultrassom. Foram quase 5 horas lá. Um ultrassom sem me mostrar o que eu queria ver (e isso é normal para o que seria uma gravidez de 5 semanas e seis dias - ainda não se vê nada mesmo quando está tudo bem). Mas não era o caso: a combinação do resultado do Beta (na verdade, só isso já mostrava a real) com o ultrassom era uma clara resposta ao meu sentimento de que havia algo bem errado. Sim, eu tive um aborto. Não sei causa, se a gravidez era ectópica ou qualquer outro detalhe. Mas foi isso. O resultado do Beta foi de 6,64. Meu corpo estava expelindo os bichinhos e isso fazia gradativamente o volume do hormônio hcg cair.
Por mais que o sentimento de medo já existisse - bem como a sapiência de que muitas vezes não dá certo na primeira tentativa -, vem um sentimento de luto. Tudo muito estranho, um luto estranho, mas um luto.
Um luto por quem (ou algo) que eu nunca vi. Mentira. Eu vi sim. Vi ele surgir, em dia e hora marcada. E com a bexiga muito cheia.
Estou sentindo luto pelo sapatinho e pelo livro sobre gravidez que não consegui comprar no dia seguinte ao ver o Beta positivo pela primeira vez. E luto pelas roupinhas guardadas que tenho desde 2009, quando fui para Nova York.
O luto é pelo menino morto espancado por seu pai simplesmente para "largar mão de besteira e ser homem de verdade". Luto pelas mães que largaram seus filhos em lixeiras, sacos dentro do rio.
Luto pelas mulheres que estão "tentando" ter seus filhos já há seis, sete anos. Depois de inúmeras tentativas e métodos, continuam, firmes e fortes, mas com uma melancolia constante.
Estranho, mas tudo isso passou pela minha cabeça nas horas seguintes à certeza do que eu já sentia dias atrás.
Li sobre uma mulher que já tem quatro filhos e casou-se novamente. E está fazendo o tratamento de FIV para dar um filho a esse novo marido porque ele quer um filho. Oi? Isso é sinal de amor - um filho a qualquer preço??? Isso me deixa em luto.
Luto pelos poucos planos que Edu e eu ousamos começar a fazer. Juro que foram bem poucos, porque eu sempre lembrava da possibilidade de falha. Isso é triste. Sonhar com limites por conta dos limites da ciência.
Pedem que eu siga em frente. Preciso tomar as providências e entender os próximos passos com o dr. Mas é impossível não fazer as contas e pensar que eu apliquei 14 injeções, usei 12 caixas de Utrogestan, 3 caixas de Primogyna e outros mais...
E, num surto de me colocar no lugar dos outros, tive o pensamento típico escroto-machista de que tudo foi privada e em absorventes abaixo (nojento, eu sei, mas as rotinas desse tratamento são nojentas mesmo e os incomodados que passem ao próximo blog de moda, look do dia ou para as páginas dos pôneis e afins).
Vou parar de pensar um pouco. Lola aqui do meu lado só me olha. Entendeu quando eu disse que estava sem saco: afastou a carinha, virou e suavemente se deitou apoiando o corpo em minha perna. E, assim, compartilhou comigo e o Edu esse luto estranho.
***
Passei os últimos dias em repouso sem sair da cama (apenas bio break e comer fora dela), sob vigilância extrema. E com muito sangramento, que começou fraquinho no sábado passado e ficou forte na segunda, com cólicas. Óbvio, havia algo de errado, apesar de o Beta ter subido um pouco na quarta. Enfim, resolvi ligar hoje novamente para o dr. Ele pediu novamente que eu esperasse amanhã para o novo Beta ou que eu fosse ao Hospital Santa Joana para passar pelo pronto-atendimento e ligar de lá para ele, para que fosse feito um Beta e um ultrassom. Foram quase 5 horas lá. Um ultrassom sem me mostrar o que eu queria ver (e isso é normal para o que seria uma gravidez de 5 semanas e seis dias - ainda não se vê nada mesmo quando está tudo bem). Mas não era o caso: a combinação do resultado do Beta (na verdade, só isso já mostrava a real) com o ultrassom era uma clara resposta ao meu sentimento de que havia algo bem errado. Sim, eu tive um aborto. Não sei causa, se a gravidez era ectópica ou qualquer outro detalhe. Mas foi isso. O resultado do Beta foi de 6,64. Meu corpo estava expelindo os bichinhos e isso fazia gradativamente o volume do hormônio hcg cair.
Por mais que o sentimento de medo já existisse - bem como a sapiência de que muitas vezes não dá certo na primeira tentativa -, vem um sentimento de luto. Tudo muito estranho, um luto estranho, mas um luto.
Um luto por quem (ou algo) que eu nunca vi. Mentira. Eu vi sim. Vi ele surgir, em dia e hora marcada. E com a bexiga muito cheia.
Estou sentindo luto pelo sapatinho e pelo livro sobre gravidez que não consegui comprar no dia seguinte ao ver o Beta positivo pela primeira vez. E luto pelas roupinhas guardadas que tenho desde 2009, quando fui para Nova York.
O luto é pelo menino morto espancado por seu pai simplesmente para "largar mão de besteira e ser homem de verdade". Luto pelas mães que largaram seus filhos em lixeiras, sacos dentro do rio.
Luto pelas mulheres que estão "tentando" ter seus filhos já há seis, sete anos. Depois de inúmeras tentativas e métodos, continuam, firmes e fortes, mas com uma melancolia constante.
Estranho, mas tudo isso passou pela minha cabeça nas horas seguintes à certeza do que eu já sentia dias atrás.
Li sobre uma mulher que já tem quatro filhos e casou-se novamente. E está fazendo o tratamento de FIV para dar um filho a esse novo marido porque ele quer um filho. Oi? Isso é sinal de amor - um filho a qualquer preço??? Isso me deixa em luto.
Luto pelos poucos planos que Edu e eu ousamos começar a fazer. Juro que foram bem poucos, porque eu sempre lembrava da possibilidade de falha. Isso é triste. Sonhar com limites por conta dos limites da ciência.
Pedem que eu siga em frente. Preciso tomar as providências e entender os próximos passos com o dr. Mas é impossível não fazer as contas e pensar que eu apliquei 14 injeções, usei 12 caixas de Utrogestan, 3 caixas de Primogyna e outros mais...
E, num surto de me colocar no lugar dos outros, tive o pensamento típico escroto-machista de que tudo foi privada e em absorventes abaixo (nojento, eu sei, mas as rotinas desse tratamento são nojentas mesmo e os incomodados que passem ao próximo blog de moda, look do dia ou para as páginas dos pôneis e afins).
Vou parar de pensar um pouco. Lola aqui do meu lado só me olha. Entendeu quando eu disse que estava sem saco: afastou a carinha, virou e suavemente se deitou apoiando o corpo em minha perna. E, assim, compartilhou comigo e o Edu esse luto estranho.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Meu Carnaval
E por que segredo? Você vai entender: o processo é todo muito sensível. E a gravidez é vista muito no começo (normalmente as mulheres se vêem grávidas após um ou dois meses) e isso faz com que ela seja quase efêmera. Por isso é preciso fazer a repetição do exame Bhcg (o famoso Beta) duas ou três vezes para que seja vista a subida do hormônio hcg no organismo da mulher. Em média, a cada dois dias esse valor hormonal precisa dobrar.
No meu caso, na quarta-feira de cinzas eu faria a repetição do exame. Mas antes disso meu Carnaval passou de um feriado durante o qual eu iria ao menos ao cinema para um feriado na cama. Mesmo. Comecei, no sábado, a ter um pequeno sangramento. Vamos lá incomodar o dr. em seu Carnaval também. Tudo sob controle segundo ele, mas devo começar a tomar Dactil OB, que pelos meus estudos científicos de bulas, evita partos prematuros e cólicas. OK, no domingo melhoro um pouco, mas na segunda era como se eu estivesse ficando menstruada a décima potência. Cólicas como não tinha fazia anos e realmente muito sangue. A ordem passa a ser repouso total e, além de Primogyna, Utrogestan, Dactil OB, devo tomar também Duphaston (mais progesterona).
Pela primeira vez na vida eu sigo corretamente os horários dos medicamentos. Tudo estaria bem se todos fossem de 8 em 8 horas. Mas não. Eu passaria a acordar às 4 da matina para tomar um deles. E assim foi. Mas o sangramento não diminuiu. E na quarta-feira de cinzas repeti o Beta. E o resultado apareceu na tela às 16h35 (Esse é o horário no qual o Fleury sobe os exames, pois foi na mesma hora do primeiro exame) e não era o esperado. De 39 passou para apenas 52.
Pânico e mensagens com o dr. Ele, otimista, dizendo que pelo menos o valor subiu, pede mais repouso e novo exame na segunda, dia 10. Assim, com muito choro, o saco cheio de ficar na cama e muita pesquisa na internet - que certamente só cria minhocas em excesso - estou aqui ainda no meu Carnaval. Pensando sobre gravidez ectópica (resumidamente: quando o embrião se fixa no lugar errado), em aborto (porque isso ocorre quando a evolução do Beta não é de acordo com o esperado) e tudo o mais de ruim que alguém pode ler.
Zero concentração, não consigo ler, não consigo ver nada que exija o mínimo de raciocínio. Estou aqui. Consegui a proeza de, ontem, ver pela manhã 3 vezes amor, com a Isla Fischer. Na sequência, vi Para Sempre, com a Rachel McAdams. Pasme, depois as duas se encontraram a tarde em Penetras Bom de Bico.
E é isso. Até segunda, no news...
No meu caso, na quarta-feira de cinzas eu faria a repetição do exame. Mas antes disso meu Carnaval passou de um feriado durante o qual eu iria ao menos ao cinema para um feriado na cama. Mesmo. Comecei, no sábado, a ter um pequeno sangramento. Vamos lá incomodar o dr. em seu Carnaval também. Tudo sob controle segundo ele, mas devo começar a tomar Dactil OB, que pelos meus estudos científicos de bulas, evita partos prematuros e cólicas. OK, no domingo melhoro um pouco, mas na segunda era como se eu estivesse ficando menstruada a décima potência. Cólicas como não tinha fazia anos e realmente muito sangue. A ordem passa a ser repouso total e, além de Primogyna, Utrogestan, Dactil OB, devo tomar também Duphaston (mais progesterona).
Pela primeira vez na vida eu sigo corretamente os horários dos medicamentos. Tudo estaria bem se todos fossem de 8 em 8 horas. Mas não. Eu passaria a acordar às 4 da matina para tomar um deles. E assim foi. Mas o sangramento não diminuiu. E na quarta-feira de cinzas repeti o Beta. E o resultado apareceu na tela às 16h35 (Esse é o horário no qual o Fleury sobe os exames, pois foi na mesma hora do primeiro exame) e não era o esperado. De 39 passou para apenas 52.
Pânico e mensagens com o dr. Ele, otimista, dizendo que pelo menos o valor subiu, pede mais repouso e novo exame na segunda, dia 10. Assim, com muito choro, o saco cheio de ficar na cama e muita pesquisa na internet - que certamente só cria minhocas em excesso - estou aqui ainda no meu Carnaval. Pensando sobre gravidez ectópica (resumidamente: quando o embrião se fixa no lugar errado), em aborto (porque isso ocorre quando a evolução do Beta não é de acordo com o esperado) e tudo o mais de ruim que alguém pode ler.
Zero concentração, não consigo ler, não consigo ver nada que exija o mínimo de raciocínio. Estou aqui. Consegui a proeza de, ontem, ver pela manhã 3 vezes amor, com a Isla Fischer. Na sequência, vi Para Sempre, com a Rachel McAdams. Pasme, depois as duas se encontraram a tarde em Penetras Bom de Bico.
E é isso. Até segunda, no news...
sábado, 1 de março de 2014
Positivo (xiiii, é segredo!!!)
Quinta-feira era o Dia D. Hora de fazer o exame Betahcg (BHCG), após 14 dias da implantação dos dois blastocistos. Óbvio, não dormi direito. 4 da matina e já estava em pé. Banho às 5h e logo cedo no Fleury. Quem sabe? Quanto mais cedo eu fizesse o exame, mais cedo sairia o resultado. Oficialmente era prometido para as 18h. Mas eu já tinha a certeza de que havia algo errado. Uma sensação de que menstruaria naquele dia. Estava sentindo isso já desde o dia anterior. Mas ok. Fiz e fiquei feliz que a atendente falou que por volta de meio-dia já deveria estar pronto o resultado. Ledo engano.
Passei a manhã atualizando a página do laboratório na internet a cada 10 minutos. Eu fazendo isso de um lado e o Eduardo do outro. Meio-dia e nada. Já estava enlouquecendo.
Sai mais às 15h50 do trabalho para não pegar o rodízio mas a Castelo estava completamente parada com a Marginal Tietê congestionada. Ferrou. Ou vou levar multa ou terei de desviar para Osasco. Mas arrisquei e achei que chegaria a tempo de me refugiar no shopping Villa-Lobos. No caminho, desesperadamente atualizava a página no iPhone. Até que eram 16h36 e apareceu. Mas não consegui ver. Nesse exato momento o Eduardo ligou e a página sumiu. Meio em dúvida ele disse que era positivo. Tremi, mas ele disse que estava em dúvida (os valores de referência falavam em volumes de milhares e o resultado não era em milhar), apesar de uma nota no fim do exame dizer que se o objetivo era confirmar a gravidez o resultado era POSITIVO. Atônitos, desligamos e eu ligaria para o dr. Marcelo Afonso Gonçalves. Nada de me atenderem nos telefones da clínica. Eu tentando e o Eduardo ligando para mim, mandando whatsapp, SMS e eu ainda tentando não levar multa. Pelo menos isso eu consegui, às 17h, cravado, entrei no Villa-Lobos. Respirei e aí sim continuei tentando falar com ele (ao saber o resultado, a ordem era ligar para ele).
Liguei no celular, coisa que não gosto de fazer. Caixa postal. Um segundo depois ele me liga, pergunta o valor e onde fiz. E então me dá os parabéns. Ai a coisa começa a se materializar mesmo. Mas mesmo assim ele pede para que eu continue com todos os remédios, caprichando, e que eu não fale nada para ninguém ainda, pois o valor do resultado precisa mais que dobrar na quarta de Carnaval. Liguei para o Eduardo e confirmei e tive uma vontade imensa de chorar. Mas chorar sozinha no meio do shopping é, no mínimo, meio estranho. Então o Eduardo veio ficar comigo (ja que é do lado de seu trabalho). Mas a essa altura o chorro já tinha passado. Ele querendo comemorar e eu preocupada com a próxima etapa, para garantir o desenvolvimento do bichinho.
Passei a manhã atualizando a página do laboratório na internet a cada 10 minutos. Eu fazendo isso de um lado e o Eduardo do outro. Meio-dia e nada. Já estava enlouquecendo.
Sai mais às 15h50 do trabalho para não pegar o rodízio mas a Castelo estava completamente parada com a Marginal Tietê congestionada. Ferrou. Ou vou levar multa ou terei de desviar para Osasco. Mas arrisquei e achei que chegaria a tempo de me refugiar no shopping Villa-Lobos. No caminho, desesperadamente atualizava a página no iPhone. Até que eram 16h36 e apareceu. Mas não consegui ver. Nesse exato momento o Eduardo ligou e a página sumiu. Meio em dúvida ele disse que era positivo. Tremi, mas ele disse que estava em dúvida (os valores de referência falavam em volumes de milhares e o resultado não era em milhar), apesar de uma nota no fim do exame dizer que se o objetivo era confirmar a gravidez o resultado era POSITIVO. Atônitos, desligamos e eu ligaria para o dr. Marcelo Afonso Gonçalves. Nada de me atenderem nos telefones da clínica. Eu tentando e o Eduardo ligando para mim, mandando whatsapp, SMS e eu ainda tentando não levar multa. Pelo menos isso eu consegui, às 17h, cravado, entrei no Villa-Lobos. Respirei e aí sim continuei tentando falar com ele (ao saber o resultado, a ordem era ligar para ele).
Liguei no celular, coisa que não gosto de fazer. Caixa postal. Um segundo depois ele me liga, pergunta o valor e onde fiz. E então me dá os parabéns. Ai a coisa começa a se materializar mesmo. Mas mesmo assim ele pede para que eu continue com todos os remédios, caprichando, e que eu não fale nada para ninguém ainda, pois o valor do resultado precisa mais que dobrar na quarta de Carnaval. Liguei para o Eduardo e confirmei e tive uma vontade imensa de chorar. Mas chorar sozinha no meio do shopping é, no mínimo, meio estranho. Então o Eduardo veio ficar comigo (ja que é do lado de seu trabalho). Mas a essa altura o chorro já tinha passado. Ele querendo comemorar e eu preocupada com a próxima etapa, para garantir o desenvolvimento do bichinho.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
13 dias que abalarão o mundo
Sexta-feira foi Valentine's Day... Não, espera. Sexta-feira foi o dia de transferência de dois embriões. E foi dada a largada para a contagem mais longa do mundo para 13 dias, quando farei o exame de Beta-hcg.
Se tem alguma dica que posso dar sobre o procedimento é: não comece a encher a bexiga (único requisito solicitado) 2 horas antes. Dá tempo suficiente de chegar na clinica, tomar uns copos de agua e ainda conversar com a embriologista. Esvaziei duas vezes aos pouquinhos a bexiga - requer concentração - e mesmo assim quase morri porque quando termina a transferência, que é rápida, é preciso ficar deitada com as pernas flexionadas.
Terminado tudo e sob estrita vigilância marital, passei no consultório do medico, no mesmo prédio e... Foi a ultima vez que vi a rua. Há mais de 72 horas deitada, praticamente, apesar de não ser comprovado que o repouso ajuda em alguma coisa na fixação ou desenvolvimento do bichinho. Há mais de 72 horas com a TV não colaborando. Zero programação que preste.
o que passa de mais produtivo por aqui é a ideia de comprar um ultrassom portátil. Rápido, prático. Isso permitiria saber se está dando certo ou não. Zero ansiedade e muita praticidade para seguir adiante. Alguém tem um ultrassom?
Se tem alguma dica que posso dar sobre o procedimento é: não comece a encher a bexiga (único requisito solicitado) 2 horas antes. Dá tempo suficiente de chegar na clinica, tomar uns copos de agua e ainda conversar com a embriologista. Esvaziei duas vezes aos pouquinhos a bexiga - requer concentração - e mesmo assim quase morri porque quando termina a transferência, que é rápida, é preciso ficar deitada com as pernas flexionadas.
Terminado tudo e sob estrita vigilância marital, passei no consultório do medico, no mesmo prédio e... Foi a ultima vez que vi a rua. Há mais de 72 horas deitada, praticamente, apesar de não ser comprovado que o repouso ajuda em alguma coisa na fixação ou desenvolvimento do bichinho. Há mais de 72 horas com a TV não colaborando. Zero programação que preste.
o que passa de mais produtivo por aqui é a ideia de comprar um ultrassom portátil. Rápido, prático. Isso permitiria saber se está dando certo ou não. Zero ansiedade e muita praticidade para seguir adiante. Alguém tem um ultrassom?
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Berçário
Na sexta passada passei pelo procedimento de aspiração dos óvulos. Eram 9. Anestesia na veia (ai que delícia!), cólica o resto do dia e mais uma receita médica de mais uma enxurrada de hormônios. Agora com o adendo de serem medicamentos de uso contínuo - Primogyna e Ultrogestan - (hoje avalio que estava preferindo as injeções!). Repouso o resto do dia.
Na segunda-feira, primeira hora, recebo o telefonema da Joyce, minha embriologista com o boletim médico: 9 óvulos, sendo seis maduros e cinco fertilizados. Vamos acompanhar o desenvolvimento nos próximos dias. E, antes de finalizar a ligação, dá os próximos passos: "Não nos falaremos amanhã (terça). Te ligarei na quarta-feira para passar as orientações para provavelmente a transferência ser na sexta-feira". Rapidamente ela ganhou meu afeto quase de irmã. Amor eterno. Amor verdareiro! Não sei se por estar acompanhando o crescimento das células como se fosse uma tia do berçário que anota na caderneta da criança tudo o que ela fez no dia (brincou, dormiu, fez um coco grande e vomitou) ou por aplacar minha ansiedade já avisando que ela não me ligaria no dia seguinte. Acho que foi por isso o sentimento instantâneo. Ansiedade é meu sobrenome, já estou enfrentando algumas noites sem dormir. Imagine achar que algo aconteceu com a célula e não me ligaram para avisar. Imagino um monte de mulher louca (mais louca ainda por causa dos hormônios) ligando na clínica cobrando o contato.
E hoje minha mais nova irmã amada é a Karina, a outra embriologista. Ela me ligou para dar o boletim do dia: temos as cinco células se desenvolvendo. Quatro estão ideais e uma está com menos células do que o normal para o terceiro dia. Mas vamos acompanhar todas e quem sabe ela recupere. "Não se preocupe, amanhã nós não nos falaremos e eu te espero aqui na sexta-feira às 11h00. E bla bla bla (sobre os procedimentos a serem tomados)" Muito amor pela Karina, que prestou o melhor serviço: boletim plus maracujina.
Imagine... se os pretendentes das moçoilas fossem assim e avisassem que não ligariam no dia seguinte, potes e potes de sorvete seriam economizados e todo mundo seria mais feliz.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Abaixo os arco-iris, pequenos poneis e fofoletes
Preciso aproveitar o surto de criatividade que os hormonios estao trazendo, mesmo com um teclado desconfigurado. Sao 5h39. Tenho ansiedade travestida de insonia. Normal. Nada que eu nao conheca. Amanha farei a coleta de ovulos (espero que eles estejam dentro dos foliculos e que os hormonios tenham servido ao que se destinavam alem de me deixar psycho-killer-doente-chorona). E estou com ansiedade ha dias. E nada ajuda.
Alem da ansiedade tenho a curiosidade (meus dois nomes do meio). O google resolve, so que nao. Os sites/blogs que falam sobre os processos de FIV (fertilizacao in vitro) sao centrais de nhoim nhoim nhoim, tudo muito cor de rosa. Aquele Babycenter quase me fez vomitar ursinhos coloridos. Era a Abencoadaxyz dando boa sorte para a Queridinhababy ou para a Umfilhoestanopelamordedeus. Argh. Nada informativo apesar de milhoes de foruns de discussao. Isso nao ajuda em nada para quem so busca informacao. Talvez seja cedo demais e eu acabe pagando da lingua e entre com um cadastro cor de rosa com lacinhos roxos e abra um topico chamado Quero ser uma mae fofinha ou Quero ter um bebe gordinho.
Por enquanto nao - e espero que nao precise chegar a essa fase. So precisava saciar a curiosidade alem das explicaacoes medicas sobre o que fazia cada hormonio do inferno e estar mais segura para aplicar o Orgalutran (que evita a ovulacao, em linguagem bem simples) e o Ovidrel (que rompe os foliculos). O Gonal F (responsavel por estimular a producao de varios foliculos nos ovarios) era facil porque e no formato caneta, do tipo de insulina, Achei um video do Orgalutran em alguma lingua que me parecia romeno. Em portugues, so se as imagens fossem decoradas com coracoes e cegonhas.
Por enquanto nao - e espero que nao precise chegar a essa fase. So precisava saciar a curiosidade alem das explicaacoes medicas sobre o que fazia cada hormonio do inferno e estar mais segura para aplicar o Orgalutran (que evita a ovulacao, em linguagem bem simples) e o Ovidrel (que rompe os foliculos). O Gonal F (responsavel por estimular a producao de varios foliculos nos ovarios) era facil porque e no formato caneta, do tipo de insulina, Achei um video do Orgalutran em alguma lingua que me parecia romeno. Em portugues, so se as imagens fossem decoradas com coracoes e cegonhas.
Hormônios e demônios
Estou descobrindo – na pele, nas entranhas, na barriga
(precisamente 1 cm ao lado do umbigo) – que hormônios têm mais a ver com
demônios que os “mônios”. Sim, estou endemoniada. Quero matar alguém. Quem? Não
sei! Pode ser você, você e ou você. É, você aí do lado, que eu nem sei quem é.
E como se desejos homicidas não bastassem, só tenho vontade de... chorar.
Explico: desde o dia 27 de janeiro estou tomando doses
cavalares de hormônios para estimular a produção de óvulos. Sim, nós precisamos desse incentivo para engravidar. Mas não é só esse. Esse por
enquanto, depois entram até os biólogos.
E porque a vontade de matar? Não sei. Não é sentimento. É
físico. Uma coisa forte, um mal-estar generalizado e uma única vontade além do
choro: sentar no cantinho do quarto e ficar lá, sozinha, com a porta fechada.
Ah, e o choro não é algo assim que vem depois de ver na TV uma notícia sobre
uma chacina de criancinhas. Não: na novela (e não era porque estava para
acabar) e por mais 1 hora e meia depois. Motivo? Sei lá. Pensei na morte da
bezerra: meu olho enche de lágrima. Penso que pareço uma idiota de tanto querer
chorar: pronto: olho marejado dentro do carro, dirigindo. Lembro da cena
bonitinha do Frozen. Ouvi uma música e lembrei que estou chata como só. Pronto:
manteiga derretida. Até esperando a mesa para almoçar no restaurante. Simplesmente insuportável.
E para piorar, tenho vontade de chorar porque estou me
sentindo um ninho, ou melhor, uma chocadeira. Na sexta-feira, fui ao médico. O
primeiro ultrassom de uma rotina deles agora. E vi, lá na tela: 5 óvulos em
cada ovário. E o objetivo? Mantê-los todos lá, se possível aumentar ainda a
quantidade, mas como nada é tão ruim que não possa piorar, aumentar não é
aumentar assim, aleatoriamente, sem controle. Se passar de 20, dançou. Hoje tem
ultrassom de novo. Posso discorrer mais sobre isso, principalmente para os
homens entenderem que devem tratar com muito carinho suas esposas quando elas
contarem que na semana que vem elas têm agendado um ultrassom transvaginal. É o
constrangimento em forma de exame.
E a chocadeira agora tem certeza de que há algo ou ovos se
desenvolvendo na barriga. Estou sentindo várias coisas. Com certeza devem ser
puns em formação, mas a sensação é de que esses óvulos que precisam se
desenvolver estão pulando e se chocando um contra o outro para ploft...
explodirem. Essa foi a certeza que tive fazendo circuit training às 6h30 da
manhã. Será que algum explodiu? Ou no fim do dia precisarei soltar um pum
gigante? Tipo um pum do demônio.
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